AVISO

A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

Prelúdio de Katherine Avalon

Kourindou está com suas janelas fechadas. Rinnosuke lê um livro. Na verdade, é um álbum de fotos da pequena Marisa. Rinnosuke para numa foto em que os dois estão sorrindo e acenando para o fotográfo; lágrimas escorrem pelo seu rosto.
Sem pedir licença, uma mulher de incrível beleza, na faixa dos 35 anos, entra pela única porta do local. Suas vestes a denunciam como uma sacerdotisa, mas vários Ying-Yangs decoram sua longa saia vermelha. Ela observa a patética tentativa do vendedor de esconder o álbum e enxugar as lágrimas antes de levantar-se e cumprimentá-la.
- Você sabe que isso não a trará de volta, não é Kourin? – diz a mulher.
- Eu sei, eu sei, mas não consigo evitar...
- A coisa está ficando cada vez mais ridícula – após dar alguns passos adentro, sua atenção é fisgada por um objeto singular, que a faz parar no local e encará-lo.
- Ridícula?! Mas ela se foi! Nunca mais poderei conversar com ela, ou dar-lhe uma bronca por roubar minhas coisas, e, ah, as lágrimas voltaram...


- Do jeito que você fala, parece que ela morreu. Aquele pedido de casamento foi tão repentino que até eu engasguei no momento.
- Como assim?! Eu trouxe a aliança, uma banda e até convidados! Não era assim que ela sempre disse que queria se casar?
A mulher não parava de olhar de forma séria para o objeto, aparentemente uma armadura medieval feminina.
- Acho que você, Kourin, está ficando cada vez mais imbecil quando envelhece. Mas, mudando de assunto, que porcaria é essa?
- Ah, isso? – Rinnosuke se aproxima da armadura – Eu a consegui para a Marisa, achando que um dia ela a usaria. Até o tamanho bate perfeitamente!
- Que mau gosto você tem...
- Infelizmente, não tem como isso acontecer. Logo que fui limpá-la, uma cabeça humana dormia dentro dela.
- UMA CABEÇA?! – a mulher começa a gritar repentinamente - DE QUEM FOI QUE VOCÊ CONSEGUIU ESSA PORCARIA??
- Estão falando de mim?
Num piscar de olhos, uma cabeça humana sai do buraco do pescoço e a armadura começa a se mexer sozinha. Rinnosuke cai duro para trás com o susto e a mulher não sabe se o acode, se bate na coisa ou se simplismente sai correndo dali.


A mulher está bebendo um copo de chá na varanda de um templo localizado no alto de um morro. Uma kasha está deitada ao seu lado observando a nova visitante se explicando, que se trata da “garota armadura”.
- Então é por isso que nós hibernamos durante um tempo! Mas também tem gente que se aproveita dessa condição e nos joga em lugares distantes, como foi o meu caso...
- Eu não me importo com o que você faz ou deixa de fazer, só sei que é muito estranho uma armadura ter uma cabeça humana falante. – diz a kasha. – Acho que minha senhora não se importaria se você se instalar por lá.
A mulher repousa o copo de chá ao seu lado com extrema paciência. Ela se levanta, anda até a visitante e a encara. Uma aura maligna emana da mulher, deixando tanto a visitante quanto a kasha amedrontadas.
- Eu tenho uma ideia muito melhor. – diz a mulher – Eu poderia fazer uma apresentação com a “armadura que se move sozinha” a ganharia muito dinheiro! – um sorriso assustador preenche seu rosto.
Após se perder em devaneios, a mulher olha ao redor e percebe que tanto a visitante quanto a kasha estão agarradas e longe dela, tremendo de medo pela extrema ganância que uma sacerdotisa não deveria possuir.


- O melhor que você pode fazer, garota armadura, é vir comigo! – diz a kasha – Ficar aqui só vai te trazer problemas!
- Eu concordo!
As duas saem correndo dali, deixando a mulher sozinha. Logo em seguida, ela se dirige à varanda, senta e tornar a beber seu chá normalmente.
- Isso foi muito malvado da sua parte, Reimu-san!
Uma nekomata abre a porta do quarto e se senta ao lado da mulher. Suas duas caudas denunciam sua natureza Youkai.
- Eu só queria afastá-las, só isso.
- Essa brincadeira foi pesada até pra você. Yukari-sama ficaria desapontada.
- Duvido muito. É melhor que essa garota viva longe do templo, ou não vai aparecer mais ninguém para fazer doações...
- Entendo. Olha, acho que posso arranjar alguma coisa pra ela. Ouvi falar que tem um certo Oni que vai abrir uma loja de entregas lá na Cidade Antiga.
- Lá embaixo? De que me adianta saber disso?
- Eles vão atuar em toda Gensokyo. É só chegar lá, fazer o pedido e esperar a entrega!
- Engraçado.
- O que é engraçado?
- Você deveria estar juntando fé para sua mestra, mas fica aqui conversando sobre coisa nenhuma comigo.
- Lógico que fico! Daqui a 5 anos você vai passar por aquilo de novo, e seus poderes estão muito reduzidos! É meu dever, como amiga, de te proteger!
A mulher subitamente para de beber o chá e olha para a nekomata.
- Você cresceu mesmo. Me lembro quando aquela kitsune ficava te mimando o tempo todo.
- Ran-sama cuidou muito bem de mim! Ela até me ensinou que devemos ajudar nossos amgios em necessidade, como é seu caso agora!
Um sorriso sincero da nekomata faz o coração da mulher tremer de felicidade.


- Então, esta é a garota?
A senhora do Palácio dos Espíritos da Terra está obsevando a recém-chegada trazida pela kasha, do mesmo jeito que o dono de um gato se enoja ao ver uma caça morta que seu animal trouxe.
- Sim, Satori-sama! Ela pode não parecer, mas é muito boa pessoa!
- Não vejo nada de ruim em seu coração, então não tem problema.
- Como assim? – a garota está confusa.
- Orin, leve-a para Abed-san, ele vai gostar de ter alguém forte para ajudá-lo nas entreguas. Depois disso, volte ao trabalho.
- Sim, Satori-sama! Sem demora, estarei de volta!
A kasha empurra a garota até outra sala e começa a falar sobre a situação e as habilidades de sua mestra.
- Ler sentimentos não é o mesmo que ler mentes? – diz a garota.
- Acho que deve ser, não havia pensado nisso... Bem, eu vou te dizer onde fica o Abed-san e você vai pra lá agora mesmo, entendeu? Satori-sama está irritada comigo por ter fugido do trabalho por tanto tempo, então vou ter que compensar...
- Quem é mesmo esse Abed que vocês tanto falam?
- Hum, eu não disse? Ele é um Oni que começou uma loja de entregas aqui na Cidade Antiga, mas ainda não apareceu ninguém disposto a ajudá-lo. Satori-sama diz que, no futuro, esse lugar vai ficar famoso e cheio de gente forte!
- Ela consegue ler mentes e o futuro também?!
- Provavelmente. Satori-sama está ficando muito forte recentemente, então é compreensível que suas habilidades sejam maiores do que possamos imaginar... Olha só, chegamos!
Sem perceber que estava sendo conduzida para o local designado enquanto conversavam, a garota se encontra em frente a uma casa caindo aos pedaços. Um garoto de cabelos prateados e um chifre único saindo da testa as recebe do lado de fora.
- Este aqui é o Abed-san! – diz a kasha.
- Uma ajudante? Fico feliz em saber que Satori não se esquece de vermes como eu, posso até chorar agora.
- Ele fala isso sempre, então ignore. – a kasha diz baixinho no ouvido da garota.
- Mas então, qual teu nome, garota?
- Ah sim, meu nome. Eu me chamo --

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