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A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

Leo Tsubaki em Gensokyo - Cap 12


O corpo do ex-humano Leo Tsubaki alimentava o fogo de uma pira funerária improvisada. Sylph estava sentada no chão, abraçando as pernas e com um olhar vazio.
-Desculpe por isso. Não achei que essa missão a abalaria de forma tão radical.
Shikieiki Yamaxanadu aparece por detrás das árvores. Já é noite, e a pira foi feita numa clareira próxima ao local da morte de Tsubaki.
-Passei tanto tempo fingindo que me importava com ele que acabei o amando. – seu olhar vazio continuava.
-É de responsabilidade do Enma gerenciar e manter a ordem no plano espiritual. Essas almas invasoras deveriam ser exterminadas assim que invadiram o plano material de Gensokyo, mas decidi mandar um grupo de Shinigamis observá-los.
-Não quero mais isso.
-Perdão?
-Eu estou me desligando do escritório dos Shinigamis, a partir de agora.
-Não posso dizer que entendo a sua dor, mas você possui responsabilidades e uma posição a zelar. Mas se deseja retornar ao ciclo da vida e da morte, que assim seja.
-Pouco me importa se estou viva ou morta, só quero que essa dor pare. – as lágrimas voltam a escorrer pelo seu rosto.
Uma outra figura surge na clareira; ela está com as roupas sujas de terra e sangue. Sylph corre para a pessoa assim que a reconhece.
-Desculpa Sylph, mas a Kássia... ela...
-O que houve? – a expressão vazia é substituída por tristeza.
Como se uma lâmpada fosse acesa, a empregada chefe da Mansão Escarlate surge diante das duas garotas.
-Fiz o máximo que pude, Luni-san, agora só nos resta esperar que a fúria da senhorita se acalme.
-Do que é que vocês estão falando? Por que ela está suja de sangue? Me responda! – Sylph voltou a chorar, ao mesmo tempo que exige respostas e segura Luni.
-Sakuya-san, nos deixe aqui. Obrigada por tudo.
Com um leve sorriso triste Sakuya deixa as duas e desaparece no tempo. Shikieiki também não está mais na clareira.
-Depois que entardeceu, – começou Luni – tio Olavo e papai sumiram na nossa frente, como se fossem feitos de fumaça. Kássia se desesperou enquanto gritava por tio Olavo, e acabou me atacando. A vampira não teve o menor remorso em pular em cima dela e arrancar tudo de dentro dela. Eu não pude fazer nada... E ai ela tentou me atacar também. Sakuya-san me salvou, de alguma forma, e me trouxe até você.
-Tsubaki morreu também.
-O que?
-Não consegui salvá-lo. O inimigo nos seguiu por um tempo e o atacou quando teve chance. Seu corpo está naquela pira.
Luni olha para a grande fogueira e reconhece algo parecido com um corpo ali. O cheiro de carne queimando finalmente faz sentido em sua cabeça.
-Pelo menos nós estamos juntas, não é, Luni? Eu estou com um pouco de sono...
Antes mesmo de terminar a frase, Sylph desmaia de exaustão no colo de Luni.

Na manhã seguinte, Sylph acorda sozinha na clareira. Nenhum pedaço de madeira queimada e cinzas sobraram da noite anterior. Luni também não parece estar por perto.
-Luni! Cadê você? LUNI!
Sua voz se espalha pela floresta, assustando alguns animais pequenos, mas nenhuma resposta é ouvida. Com certa dificuldade, Sylph se levanta e vai até a Vila Humana. O lugar está cheio de gente; humanos e youkais andam e conversam sem o menor medo um dos outros.
-Sylph-san! O que houve?
Alice estava terminando de arrumar seu mini-palco para a apresentação semanal de bonecas quando viu Sylph, completamente suja, vagando pela Vila. No impulso de ajudar, ela se dirigiu até a garota e abandonou as bonecas que cuidavam da tarefa.
-Alice? Você viu a Luni?
-Não, não vi. Acredito que você esteja com algum problema, pelo estado em que se encontra e pelo tempo que esteve sumida.
-Tempo? Como assim? Tsubaki morreu ontem! Eu até fiz uma pira para cremar o seu corpo!
-Ontem? – Alice parece confusa – Pelo o que sei, isso aconteceu há alguns meses. Na verdade, deve ter sido ano passado...
Sylph cai de joelhos no chão. Alice diz que um ano havia se passado, mas isso não deveria ser possível, ela pensava.
-Um... ano?
-Você deve estar passando mal. Vou te levar até Keine-san, de lá eu posso chamar a doutora e ver o que você tem, certo?
O novo choque fez com que Sylph perdesse a noção da realidade, caindo num mundo ilusório onde não podia ouvir ou ver o que acontecia ao seu redor. Alice realmente a levou para a casa de Kamishirasawa Keine, mas não ousou sair de perto dela.

-Realmente, acho que não há remédio no mundo que possa ajudá-la.
Reisen termina de examinar Sylph, que está dormindo profundamente. Keine não conseguiu encontrar Eirin quando tentou se aproximar de Eientei, mas Reisen decidiu tomar partido e praticar um pouco do que sua mestra havia lhe ensinado.
-Quer dizer que não podemos fazer mais nada a não ser esperar? – perguntou Alice, realmente preocupada com a garota.
-Sim, infelizmente é isso. Diga para a professora, quando ela voltar, que agradeço o voto de confiança que ela depositou em minhas habilidades. Com sua licença...
Reisen se despediu e foi embora. Alice ainda se pergunta o por que de ter ficado até tão tarde para ajudar alguém que mal conhecia. “Talvez ela tenha a resposta”, pensou.

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