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Leo Tsubaki em Gensokyo - Cap 2

Mesmo de olhos fechados, percebo uma luz forte em meu rosto. Abro os olhos e vejo a Sakuya apontando uma lanterna na minha cara.
-Dá pra desligar essa coisa?
-Primeiro me diga quem é você e por que estava violentando as empregadas da Mansão.
-Violentando?! Mas eu nem sei como fui chegar aqui! Eu só pisquei e já estava pelado ali no chão! Eu não sou um tarado! – meu desespero só começou a aumentar nesse momento.
-Sério? – Sakuya me lança um olhar de descrença – Se é assim, de onde você veio? Ou vai me dizer que não lembra? – ela sabe ser assustadora quando quer...
-Lembrar eu lembro, só não acho que vocês vão acreditar.
-E porque não tenta? – uma voz infantil surge por trás de Sakuya. Era Remilia, me olhando como uma garota olha o último pudim do estoque.
Patchouli entra na sala, seguida de Koakuma, que se esconde por detrás de sua mestra. Ou pelo menos tenta, já que Koakuma é mais alta que Patchouli.
-Ela chegou – diz Patchouli – e está pronta para fazer o que foi pedido. Mas ela está acompanhada de Reimu-san.
-Não faz mal, assim todas poderemos saber quem é esse maluco. – diz Sakuya.
Por essa eu não esperava. Logo que falam isso entram Reimu e Satori, quase como se Reimu estivesse servindo de escudo humano para Satori.
-A mente dele está confusa... tudo embaralhado... “uma lanterna na minha cara”... “desliguem isso”... “eu vou morrer”... Me parece que se trata de um covar—
-O que foi? – Sakuya olha para a expressão aterrorizada de Satori. – É tão grave assim?
Quando ela começou a falar que eu era um covarde, eu me lembrei de Shikieki, da Sala Escura e do Torneio. Satori ficou pálida.
-Acho melhor sairmos de perto dele.
-Que tal parar de drama e dizer logo? – eu falo com um tom firme. Quer dizer, foi o mais firme que consegui naquela hora.
Reimu se vira pra Satori.
-Eu acho que não deve ser nada que não possamos dar conta, Satori. Pode dizer.
-Ele... está morto...
-Isso explica esse cheiro bizarro. – Remilia está cheirando o meu cabelo.
Foi ai que eu percebi que estava completamente amarrado numa cadeira. Acho que deve ser o protocolo de invasores ou coisa parecida.
-Mas não é só isso... Ele tem o poder de realizar desejos!
Cacete, ela viu tudo aquilo e se focou nisso?! Tomara que esteja sendo cautelosa, já que eu não sei o que pode acontecer se mais alguém souber do Torneio. O mais engraçado é que todas elas me olharam de uma forma sinistra, como se fossem me estripar ali mesmo.
-Eu quero mais doações!
-Eu quero mais livros!
Cada uma começou a me sacudir e a gritar pedidos. Acordo num quarto grande. Quando tento me levantar, percebo duas coisas: a primeira é que minha cabeça está latejando de dor, e a segunda é que estou de camisola.
-Ficou bem em você.
Olho pro lado da cama e vejo Koakuma com a cara mais sarcástica que já vi na vida. Ela estava se segurando pra não gargalhar da minha cara.
-Isso foi ideia sua? – falo com uma expressão de “que porcaria é essa?”
-Era só o que nós tínhamos a disposição. Afinal, essa Mansão está cheia de garotas! Mas eu quero saber uma coisa: você gosta mesmo de mim?
Só podia ter sido a Satori. Ela deve ter cavado tão fundo na minha mente que falou tudo o que viu lá!
-É que você repetia o meu nome enquanto dormia... – ela ficou vermelha.
-...
-Então?
-Sim.
Normalmente eu diria que não. Porém, já estou morto, num mundo diferente e cheio de gente doida, por que não mudar meu jeito de ser, não é?
-SIM?! – Koakuma levanta, toda vermelha, e sai correndo do quarto.
-Agora você conseguiu. – Sakuya se aproxima da cama.
-Onde você estava se escondendo?!
-Eu estava sentada ali, tomando um chá e esperando que você acordasse.
-... – olho pra cama e para a camisola.
-Nós vamos te dar roupas decentes e te levar para a Vila Humana depois do almoço.
-De que adianta? Não sou um humano, não mais.
-Não mais? Gostaria de me dizer de onde veio?
-A história é longa, e talvez seja algo inacreditável demais...
-Não tem problema, pode contar pra ela. – Satori entra no quarto e fecha a porta.
Não precisei medir minhas palavras nem minha frustração em estar numa situação tão bizarra.
-É melhor que descanse. –diz Sakuya - Esse tipo de coisa deve doer muito, a ponto de fazer um homem chorar.
Foi ai que notei que estava chorando, mas não sentia as lágrimas escorrendo pelo rosto. A maldição era verdadeira.
-Eu não sinto... o meu rosto...
As duas me olham, chocadas, enquanto aperto a pele e puxo minha língua, que, ainda bem, estava normal.
-A língua está boa, que bom!
-Hahaha! – Satori começa a rir da cena: eu estava falando enquanto puxava a língua com a mão direita. Sakuya mostrou um sorriso honesto e saiu do quarto.
-Satori-sama, – me viro para ela, sério – o que você acha que devo fazer nessa situação?
Ela senta na cama, olhando para o chão.
-Essa é uma chance única. – ela diz – Aproveite o máximo possível a sua estadia neste lugar que antes de morrer você achava existir apenas na mente dos vários fãs espalhados pelo mundo.
-É o que estava pensando...
-Agora eu devo ir. Okuu deve estar começando a ficar preocupada comigo. Até outro dia.
Satori levanta, ajeita o vestido e diz, sem se virar.
-Por causa de sua atual condição, eu lhe peço que não se aproxime da Cidade Antiga. Pode ser perigoso para os habitantes inocentes de lá.
-Eu entendo. Obrigado por falar comigo. – percebi que estava chorando de novo.
Naquela mesma tarde, eu recebi roupas novas e um quarto na Mansão Escarlate. Precisei convencer a Sakuya de que não arranjaria problemas enquanto estivesse por lá. Por causa do meu poder, pude ficar como hóspede, sem a necessidade de trabalhar para pagar minha estadia.

Dias depois.
Do nada, enquanto conversava com Patchouli na Biblioteca, eu a vejo segurar o peito e gritar de dor, seguido pelos gritos de todas as ocupantes da Mansão. Não deve ter durado nem 3 segundos, mas foi algo assustador. Quando terminou, Patchouli, que estava sem fôlego, abaixou as mãos e quase entrou em pânico: seus seios haviam triplicado de tamanho! Ela estava comigo, então sabia que não tinha sido culpa minha. Claro que deve ter sido outro participante do Torneio, eu pensei, mas quem seria? Como iria encontrá-lo?

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