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A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

RAL - Memórias e Rebeldia


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Memórias e Rebeldia

Haviam poucos meses que Opera conseguira sua forma humanóide. Sempre foi um dos animais de estimação de Satori Komeiji, desde que consegue se lembrar, mas o fato de não possuir liberdade para fazer o que quisesse a incomodava muito. Koishi Komeiji, irmã mais nova de Satori, era uma garota isolada e mal compreendida. Opera achava que entendia isso. Frequentemente a visitava, na intenção de desenvolver algum tipo de amizade mútua. Em vão. Koishi havia selado seu coração, portanto, o conceito de amor, por mais simples que fosse, estava fora de seu entendimento.
Em sua mente, Opera achava que ninguém se importava com ela, que ninguém tentava se esforçar para ouvir seus “problemas”, que sua vida não valia nada. Ela enterrou todos esses pensamentos e seus desejos nas profundezas de seu coração, esperando que pudesse esquecer tudo isso. O que realmente aconteceu foi uma transformação gradual em sua personalidade e aparência. Opera era a única Corvo do Inferno que tinha asas coloridas, símbolo de sua descendência com o Antigo Inferno das Chamas Escaldantes. Com o tempo, a cor vermelha começou a se espalhar pelas asas.
Sua personalidade estava se tornando mais sombria e sarcástica, mais até que algum monstro maligno e sem alma. Ela tentava esconder isso ao máximo de seus “colegas de trabalho”, e decidiu afastar-se de qualquer tipo de relacionamento, incluindo Koishi.
Um dia, uma Deusa, Yasaka Kanako, surgiu diante dela e ofereceu um poder maior que qualquer coisa que ela conhecia, o Deus do Sol Negro Yatagarasu. Opera não pensou duas vezes antes de aceitar a oferta, mesmo sabendo que não deveria confiar em mais ninguém além dela mesma. Opera, e não Utsuho, recebera o poder da fusão nuclear, e Kanako esperava que ela o usasse para melhorar a condição de vida das pessoas da Cidade Antiga. Tomada por uma alegria imensa, Opera se apressou e encontrou-se com Satori, ignorando os olhares de repulsa dos outros habitantes do subterrâneo.
-Esse tipo de poder é algo que você não pode controlar. Livre-se disso imediatamente. – disse Satori.
-Mas Satori-sama, agora todos irão me reconhecer! Eles irão gostar de mim!
-Olhe ao seu redor.
Opera olhou e viu as faces enojadas dos animais de estimação de Satori.
-Não acho que você queira esse tipo de reconhecimento? Devolva essa coisa o quanto antes, entendeu?
-Eu sempre, sempre desejei que alguém gostasse de mim, que se importasse comigo. Pra você não passo de uma ferramenta...
-Ferramenta? Eu nunca a forcei a fazer nada.
-MENTIRA! Não sou eu que tem que cuidar daquele fosso maldito? Coletar corpos não é trabalho meu também? Quando que alguma vez você, sua telepata inútil, fez algo para ajudar? NUNCA!
-Seu coração está completamente confuso, sugiro que vá descansar depois de devolver—
Opera apontou o Canhão de Energia Nuclear em seu braço esquerdo para o rosto de Satori.
-Eu posso te matar aqui mesmo!
-Tente. – diz Satori, indiferente.
-O que?
-Atire.
-POR QUE? POR QUE VOCÊ É TÃO MÁ?!
-Este é o meu trabalho. Se pretende ficar com essa coisa, sugiro que deixe a Cidade Antiga e não volte nunca mais.
Opera recuou alguns passos e se deixou cair ajoelhada no chão. Ela não conseguia mais parar de chorar. Satori continuou na mesma posição, observando a confusão em que a mente da garota se aprofundava.
-Me matar não vai mudar nada. – diz Satori – Nem mesmo se você destruir tudo o que encontrar não haverá como viver em paz.
-Hehehehe... HAHAHAHAHA!!! – Opera começa a gargalhar, seus olhos brilhando um vermelho mortal.
Os animais que estavam por perto fogem rapidamente, deixando apenas Satori e Opera a sós. Koishi observa tudo por detrás de um pilar, ao longe.
-Se é assim que você quer, Opera, assim será.
-Agora sim posso morrer feliz: é a primeira vez que alguém diz o meu nome!
Opera se joga em direção de Satori, tentando acertá-la com o Canhão, mas acaba errando. Satori usa Recollection “Elemental Harvester” e acerta Opera em cheio, jogando-a para longe.
-Isso não é nada! – Opera se levanta rapidamente – Nuclear “Fire Attack”!
O Canhão dispara uma simples rajada de energia, permitindo que Satori se esquive com facilidade, porém a parede onde a energia acerta é reduzida a cinzas. Koishi sai detrás do pilar e grita para Opera.
-Opera, para com isso!
-Ótimo, hoje vou matar as duas irmãs mentirosas!
-Opera... – os olhos de Koishi se enchem de lágrimas.
Yuugi entra pelo buraco na parede e vê toda a cena. Em questão de segundos Yuugi corre até Opera, e pega pelo braço direito e a joga pelo buraco, e antes mesmo de atingir o chão a pega novamente e a lança para o alto, quebrando o braço direito de Opera.
-Parece que a gata falou a verdade.
-Alguém me denunciou? Perfeito, assim vou poder matar todas vocês sem nenhum remorso!
-Mas não vai poder fazer muito com um braço a menos. – Yuugi aponta.
O braço está completamente retorcido e com metade do úmero exposto. Opera coloca o Canhão sobre o ferimento e deixa que o calor queime completamente o membro, desativando o Canhão e arrancando ferozmente a carne e ossos queimados. Yuugi observa a cena com uma expressão séria.
-Eu não sei quem é você, – diz Yuugi – mas esse tipo de coisa não é tolerada pelas pessoas do subterrâneo.
-NINGUÉM SABE QUEM EU SOU! HAHAHAHAHAH!
-Não adianta falar com ela, hein? Tudo bem, vamos lutar com nossa força no máximo!
Ignorando completamente as regras de duelo de Spell Cards, Yuugi e Opera usaram seus golpes mais poderosos, destruindo com grande parte da Cidade Antiga no processo. Com uma sorte inacreditável, Opera conseguira acertar grande parte de seus disparos, deixando Yuugi cada vez mais ferida e exausta. Satori, Koishi, Utsuho e Orin só podiam observar de longe, impossibilitadas de tomar qualquer ação.
-Urgh... Não vou deixar que um pássaro maldito manche o meu orgulho! – diz Yuugi, segurando um sangramento com uma das mãos.
-Mortos não precisam de orgulho! – Opera braveja ao mesmo tempo em que lança outra rajada de energia.
A batalha segue por mais alguns segundos, até que Yuugi acaba exaurindo suas forças enquanto lançava vários tiros de danmaku para distrair Opera. A chocante cena que se seguiu ficou marcada como brasa nas mentes das testemunhas.
-HA! Nem mesmo uma Oni de merda é páreo contra mim agora! – Opera segura Yuugi pelo pescoço com o braço restante.
-Feliz?
-Claro que estou! Agora todos vão me respeitar!
-Medo é diferente de respeito. Eu sei bem disso. Se quer esse caminho vá em frente, não posso mais impedi-la.
-Mortos não dão conselhos! – diz Opera, lançando Yuugi contra o teto da Cidade Antiga com uma força extraordinária e liberando uma quantidade de energia absurda pelo Canhão.
A energia é tão violenta e perigosa que um grande buraco sobra após este ataque. Não sobrou nenhum vestígio de Yuugi.
A única coisa que Opera conseguia fazer era gargalhar.

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