AVISO

A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

O Gosto do Sangue (2.)




-É vermelho.
Ela observava a própria mão. O líquido vital escorria por entre seus dedos. O frio tomava seu corpo.
-Essa puta já cansou? – disse uma voz – Vamos, ainda não terminei!
Um garoto a puxa pelos cabelos, e começa a forçar-se sobre ela com mais insistência. O grupo observava a cena com prazer nos olhos. Ela percebeu o que acontecia, mas não tentou gritar. Esse tipo de violência já era comum em sua vida.
-Tá achando que só porque veio da gringa vai ficar no mel? Bora pessoal, que essa cachorra merece mais!
O garoto que a segurava e violentava a largou no chão. O grupo se aproximou e começou a agredi-la fisicamente. Socos, chutes, pedras e o que quer que tivessem em mãos eram usados para ferir sua carne.
-Ei, já tá bom! Se aparecer alguém a gente tá fudido!
-Beleza, bora!
Em pouco tempo o grupo fugiu e se separou. A garota continou no chão, suja de terra, sangue e outros fluidos. Seu olho esquerdo estava ferido. Seu corpo doía em vários lugares, alguns estavam irritados com o uso contínuo e forçado. Ela se virou e contemplou o céu noturno por uma das janelas da sala; era a única coisa que podia fazer. Não tinha mais forças para se levantar, muito menos para tentar limpar o corpo. Adormeceu ali.
Ela abriu os olhos. O teto era familiar. Parte da dor havia sumido.
-Você devia contar para a polícia, Erica.
Ela olhou para o lado. Uma mulher asiática, por volta dos 40 anos, a observava com lágrimas nos olhos.
-Você me pediu pra te proteger! – a mulher se levantou da cadeira – Como posso te proteger se não diz quem te fez isso? Me diga!
Ela virou o rosto para o outro lado. A mulher veio até ela, pegou seu rosto com uma das mãos e a encarou olho a olho.
-Me diga.
-Não faz diferença.
A mulher a soltou, andou até a porta e parou.
-Se não vai me contar, então pode ficar aqui o resto da vida.
A mulher saiu e bateu a porta com força.
A garota se sentou na cama. O grande espelho à sua frente revelou seu estado: faixas cobriam o tórax, um tapa-olho cobria seu olho esquerdo e um rosto que mostrava vazio e falta de esperança. Não tinha nada de valor no quarto, era como se fosse um apartamento mobiliado por uma designer sem inspiração. Ouvia-se crianças brincando na rua, carros passando, pessoas tentando vender suas mercadorias aos berros.
-Não faz diferença.
A garota olhava para as próprias mãos, enfaixadas. Ela havia fugido de seu país de origem para tentar fugir do ódio que seus vizinhos, colegas e parentes sentiam. Não tinha como entender aquele ódio; sempre que ela estava em algum lugar com outras pessoas estas a olhavam com nojo, desprezo e, algumas vezes, a batiam.
Não era raro lhe chamarem de demônio.




(Aviso: pretendo fazer algo novo e diferente nos próximos capítulos. Se gostar ou não, comente!)




2 comentários:

  1. Respostas
    1. Fico feliz que tenha gostado Rafaely.

      Aliás, eu me assustei com esse negócio de Artes em E.V.A. Achei que já tinha alguma cadeira de Neon Genesis Evangelion por ai e nem sabia!

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