AVISO

A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

O Gosto do Sangue (5.)


-Não exatamente. Isso é um pouco difícil de explicar...
-Tente. Temos muito tempo até lá.
A dupla de estudantes conversava sobre alguma coisa embaraçosa, ou talvez bizarra, já que estavam com os rostos quase colados e sussurando suas palavras. O intervalo havia começado a pouco, mas o garoto se esforçava em contar seu segredo para a sua amiga. Os outros estudantes daquela sala do segundo ano observavam a cena com certa ansiedade, provavelmente aguardando por alguma fofoca ou boato interessante.
-Eu... tipo...
-Você está enrolando desde que chegou hoje. – a garota fala com um tom irritado – Vomita logo o que é ou vou perder a hora da cantina!
-Então é melhor você comprar logo o lanche. Na volta eu conto.
A garota não conseguia mais esconder a raiva acumulada desde o começo do dia. Seu colega estava tentando ao máximo contar alguma coisa, provavelmente séria, mas sempre foi do tipo enrolado. Enquanto escolhia seu desjejum e almoço, achou que uma lata de refrigerante acalmaria seu colega. Pelo menos, pensou ela, o tal segredo seria revelado ainda naquele dia.
De volta a sua sala percebeu que um estudante loiro, de óculos e aparentemente acima do peso observava algo no final da rua com um certo interesse. Ela passou pelas carteiras até chegar em seu colega, estendendo a mão com a lata de refrigerante.
-Bebe isso e me conta logo o que é.
-Acabou o tempo.
A sala irrompe em barulhos ensurdecedores e gritos de horror antes que a garota pudesse começar a falar. Olhando para trás percebe que o loiro da janela acabara de receber um impacto violento no rosto, suficiente para quase explodir sua testa e espalhar massa encefálica pelas carteiras e materiais dos outros estudantes.
-Era isso que eu tentava avisar.
A garota não ouvia mais nada. Vários tiros eram disparados por algum atirador insano contra as pessoas daquela sala. Muitos estudantes foram atingidos. A quantidade de feridos e mortos só aumentava. A sala se encontrava num ângulo propício para o atirador visualizar suas vítimas do ponto mais afastado da rua, o suficiente para disparar e fugir assim que precisasse.
-Não que eu estivesse preocupado com alguém desse colégio.
Todos que se encontravam no prédio tentavam fugir, e acabavam sendo atingidos fatalmente pelo atirador desconhecido. O garoto apenas assistia o show de horror. Um leve sorriso de satisfação se formava.
-Quando eu descobri o que eram essas coisas, não tive mais dúvida alguma. Eu odeio—
Antes que pudesse terminar sua frase, sua colega levantou, agarrou-o pela camisa e o jogou em direção á porta. Seu corpo foi perfurado várias vezes por tiros certeiros, tombando por sobre alguns corpos logo em seguida. Um celular de alta tecnologia deslizou de seu bolso perfurado e parou aos pés da garota.
-O que...
Ela estendeu sua mão e o pegou. A única frase a arrepiou de uma forma inesquecível.
“Parabéns Marcela de Cervan, sua bravura deixou a diretoria da Corporação Trident ansiosa em conhecê-la.”

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