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A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

My Sweet Little Witch - Capítulo 4: Confused Things, Confused Feelings


Eu não sei o que sentir, eu não sei se devo sentir, eu não sei o que sinto. Eu só sei que apenas sinto.”

– POV: Alice.



Por alguns minutos após o que acabei de fazer, fiquei parada de costas para porta, ate me recostar na mesma e deslizar ate o chão de pisos esbranquiçados.

Meus pensamentos estavam confusos, e do mesmo jeito estavam meus sentimentos. Eu imaginei o momento, toquei meus lábios na lembrança do doce sabor dos lábios da Marisa que ainda estavam frescos na minha boca.

Eu comecei a pensar... Ela sempre estava ali... Sempre estava do meu lado, mesmo após a minha mudança brusca de atitudes. Sim eu já fora alguém alegre e sorridente, mas após descobrir sobre essa maldição que Eirin chama de “doença”, tive que mudar minhas atitudes e não pude realmente falar o que sentia ao estar com Marisa naqueles tempos alegres...

Era uma ótima época. Nós sempre ficávamos juntas e também nos divertimos. Sempre uma junta da outra, inseparáveis. Naquele tempo eu sentia algo a mais pela Marisa, sempre senti, desde a nossa primeira conversa. Ela é muito especial para mim.

Comecei a ter lembranças do tempo que passamos juntas antes da minha mudança de atitude. Foi realmente horrível, ter que falar que não queria estar com ela o tempo inteiro, foi realmente doloroso para mim.

E desde então, eu convivo com esse sentimento de que meu mundo está incompleto, faltando uma parte, como se eu tivesse me deixado para trás, em um passado feliz e distante, para um presente tão horrível como esse.

Aos poucos ia me sentindo triste, culpada por pensar ter feito algum ruim, foi apenas o que eu queria afinal... Mas parte da minha mente dizia que isso era errado.

Agora me sentia culpada, por ter metido a Marisa nessa historia, e raiva de mim, por ter me aproximado tanto de alguém a ponto de me sentir culpada.

Como é confuso não é? Esse sentimento, o amor. Sempre fazendo as pessoas agirem de jeito estranho.

Esses pensamentos rodeavam a minha mente naquele momento. Com um impulso eu levantei e corri para meu quarto, parando de pensar no que havia feito e as conseqüências disso, mas sabia que no fim eu acabaria por pensar nisso tudo novamente.

Dito e feito, ao chegar ao meu quarto, me aproximei da cama e me ajoelhei.

O que acabou de acontecer? O que eu fiz? O que nós fizemos?! Eu não entendo! Isso tudo esta completamente diferente, a Marisa... Eu... Eu... Amo ela... Assim como antes!

Com o rosto repousado no travesseiro, entrei prantos. Como eu podia ter feito aquilo? Beijar outra garota... Mesmo que ela seja muito importante pra mim? Eu não consigo entender isso! Por quê? Ela é uma garota, assim como eu!

Essas perguntas não saiam da minha cabeça, eu não entendia a mim mesma, o que eu deveria fazer?

Pude ouvir Shanghai e Hourai baterem na porta.

Mamãe, você está bem?- Shanghai bateu na porta, mesmo que suas mãos sejam pequenas por causa do seu tamanho, o barulho foi igual ao de uma pessoa normal.

Mãe, podemos entrar? – Hourai também estava com ela.

Eu estava abrindo minha boca para responder, mas meus pensamentos foram cortados com um calafrio da lembrança de que eu não havia tomado a segunda dose da Wonderland 2.0, isso me deixou com um pouco de pânico, eu precisava daquele remédio constantemente.

No começo do tratamento, Eirin disse para eu não ficar muito pensativa sobre coisas que me influenciariam emocionalmente de maneira forte, alegando que isso só pioraria meus “sintomas”. O pânico percorreu os meus olhos, e eu rapidamente corri ate a porta...

Porém, antes que eu pudesse chegar até ela, minha cabeça começava a doer muito, uma dor insuportável. Levei as mãos à cabeça, e gemi alto pela dor, aquilo não era normal.

Mamãe! – Shanghai adentrou o quarto e veio me acudir de algum jeito.

Minha dor de cabeça começou a piorar ainda mais, era como se minha mente estivesse prestes a se partir. Ouvi Shanghai gritar algo para Hourai, que saiu do quarto e logo voltou com um pequeno pacote que continha a Wonderland 2.0.

Tome mamãe, rápido! – Não sei como, mas ainda tinha forças para botar a pílula na boca e engolir em seco.

A dor de cabeça foi passando lentamente e eu comecei a ficar um pouco sonolenta.

–Eu me sinto... Sonolenta... – Meus olhos se fechavam lentamente, uma sensação de sono veio e me pegou de surpresa.

Com um ultimo esforço, deitei na cama e fechei os olhos lentamente, caindo no sono.

...

Algum tempo depois, abri os olhos e Shanghai estava sentada do lado da cama segurando uma pequena toalha branca.

Mamãe! Se sente melhor? – Ela fez um rosto preocupado.

Apenas assenti que sim para ela, com meu rosto ainda em uma expressão confusa.

–Que horas são? –Perguntei, coçando um dos olhos.

Não sei exatamente, mas já é bem tarde. –Ela respondeu, repousando a toalha em uma pequena mesa que havia ao lado da cama. –Você nos assustou Mamãe! Dormindo por quase uma semana!

Uma semana? A crise fora tão ruim assim?

Eu fui ate a Eientei e chamei a enfermeira. Ela veio aqui e disse que você precisava de repouso e que nada podia te fazer pensar muito. –Ela terminou de explicar com um ar preocupado.

Uma semana... Então desde o beijo na Marisa, eu dormi esse tempo todo.

Será que Marisa soubera do que houve comigo? Será que ficou preocupada? Fiquei pensando nisso, mas deixei de lado por um segundo, estava preocupada com outra pessoa antes.

–E onde está Hourai?

Ela está na cozinha, preparando algo para você comer quando acordar. –Ela fez um gesto de alguém morder algo e mastigar.

–Entendi... – Sorri para a pequena brincadeira dela.

Comecei a lembrar do que aconteceu, eu deveria parar de me preocupar, mas aquelas perguntas passadas ainda rodeavam a minha cabeça que ainda estava confusa.

Pensei se deveria pedir opinião de alguém, mas ninguém, fora Shanghai e Hourai, soube o que houve entre mim e Marisa naquele momento. Comecei ater uma idéia, talvez eu devesse pedir conselho as duas, já que elas me entendem tão bem quanto a Marisa.

–Shanghai... O que você acha da Marisa?- Perguntei, meio sem jeito.

A Marisa? Hmm... – Ele botou um dedo na boca, pensativa. –Acho ela bem divertida e engraçada. Adoro ela! – Um grande sorriso se formou em seu rosto.

–É mesmo? – Sorri de volta.

E você mamãe, gosta da Marisa? Porque vocês se beijaram e tudo! – Ela soltou um sorriso de criança novamente.

–Eu sinceramente não sei te responder exatamente Shanghai. – Eu fiz um rosto de quem se desculpa por não conseguir saciar a curiosidade de uma criança.

Seria divertido ter a Marisa mais tempo com a gente! Ela poderia brincar mais comigo! – Outro grande sorriso dela.

Fiquei calada por um instante, pensativa. O que será que Hourai pensaria disso?

Como se lê-se a minha mente, Hourai entrou no quarto, com outras bonecas trazendo uma bandeja com alguns biscoitos e um bule com chá.

Mãe! Que bom estar acordada! –Ela soltou um sorriso também, mesmo não sendo radiante como o de Shanghai, ele ainda demonstrava a felicidade dela, de uma forma mais reservada.

Ela rapidamente encheu uma xícara com chá e me entregou. Apanhei e tomei um gole, vendo o seu rosto satisfeito ao me ver tomar o seu chá.

–O chá está ótimo. –Falei, dando-lhe um sorriso. Sem duvida, Hourai fazia um ótimo chá.

Tomei outro gole e fiquei observando o chá, pensativa. Hourai notou isso e resolveu tentar chamar a minha atenção.

No que está pensando?- Ela perguntou, notando a total falta de atenção da minha parte.

–Nada demais. –Respondi, tentando parecer natural.

A mamãe está pensando na Marisa! –Shanghai...!

Hourai olhou para mim e riu, achando graça do meu provável rosto ruborizado naquele momento.

Você realmente gosta da Marisa né mãe?- Ela perguntou, com um sorriso compreensivo.

–... –Fiquei calada, mas no fundo eu sabia que isso era verdade.

Mãe, você sabe que isso não é algo ruim, gostar de alguém. –Ela falou de um jeito bem maduro dessa vez, realmente ela estava tratando a situação de forma séria.

–Eu sei disso... Mas somos duas garotas, isso deveria ser errado. –Falei.

–Amor não tem sexo, nem idade. Se você realmente a ama, apenas diga e sinta isso. – Hourai me surpreendeu ao falar isso.

Olhei para as duas, que sorriam satisfeitas para mim. Talvez eu deve-se cair na real e admitir logo.

–Sim, eu amo a Marisa. –Finalmente admiti. – Amo demais.

Ambas se entreolharam e sorriram para mim.

Viu? Não foi difícil aceitar esse fato. – Hourai soltou uma pequena risada.

Apesar de estar feliz por ter colocado meus pensamentos em ordem, alguma coisa me incomodava.

–E se a Marisa... Não gostar de mim do mesmo jeito que gosto dela? – Perguntei inocentemente. Não parecia pensar da mesma forma de antes, talvez eu ainda tivesse esperança de que isso poderia dar certo.

Hmm... Se você gosta dela, e ela não gostar de você da mesma forma, apenas tente conquista-la! Tente voltar a ser como antes, ela realmente gostava de você daquele jeito! – Shanghai falando desse jeito faz parecer tão fácil.

Amar nunca é fácil, se fosse fácil não teria graça. – Hourai riu. –Agora eu e a Shanghai iremos sair para você descansar mais um pouco, certo Shanghai?– Hourai fez um gesto de quem fala “concorde, concorde!”.

Isso! Isso! Vamos sair. Se cuide mamãe! –Ambas deixaram o quarto, agora eu estava sozinha.

Lembrei que ainda esta com o chá, e comecei a terminar de tomá-lo enquanto ficava pensativa.

Eu pensei sobre que elas falaram por algum tempo, que eu deveria tentar, mesmo que não fosse como eu pensava que seria.

Meu coração começava a se encher de esperança, talvez eu realmente deve-se tentar, isso me deixaria bem comigo mesma, e não faria eu ficar do jeito que estou, doente.

Espero conseguir ter coragem de admitir, na frente da Marisa, que gosto dela, que a amo. Mesmo que ela não corresponda, eu vou entender, pois isso não vai mudar muito a nossa relação, não ficarei com raiva dela se ela decidir isso, pois meu amor é maior do que a minha provável raiva, ela não vai me deixar sozinha. Ela não é do tipo que abandona ninguém.

Marisa é uma pessoa que adora fazer as outras felizes, e ela tem noção de amor, já que a explicação para a “brutalidade” dos poderes dela é por causa de seu forte amor. Ela nunca me disse pelo que ela tinha todo esse amor. Então essa possibilidade me enche de esperança.

Continuei a pensar em Marisa, e não notei que meus olhos começaram a ficar marejados. Eu estava... Chorando?

Chorar de felicidade, sim.

Eu estava feliz, podia sentir que estava. Já aceitava o fato de que Marisa era importante para mim, mesmo que minha doença me fizesse pensar o contrario, que deveria odiá-la, que deveria afastá-la. Mas isso seria pior que outra crise que eu teria se não tivesse Marisa sempre ao meu lado.

Eu voltava a pensar, como ela sempre esteve ali, mesmo depois de tudo que fiz, de tudo que disse de ruim...

Talvez ela também me ama-se, de algum jeito.

Eu espero que seja isso.

Eu quero vê-la. Quero tocá-la, quero mostrar a ela que a amo...

Eu pensava nisso, até lembrar que eu estive dormindo por uma semana. Pelo visto o colapso foi grande...

Ouvi um pequeno barulho de um abrir de porta, e imediatamente olhei para a mesma, onde se encontrava Hourai.

A mãe, esqueci de contar. A Marisa veio vê-la ontem. –Meus olhos se arregalaram. –Ela ficou bem preocupada com você e disse que voltaria amanha.

A Marisa veio me ver, ela se mostrou preocupada comigo... Não poderia estar mais feliz! E ela voltaria amanha!

Irei me confessar para ela. Dizer tudo que sinto! Não poderia estar mais ansiosa!

Hourai riu por um tempo, meio cortando meus pensamentos.

–Você está radiante mãe. Espero que dê tudo certo. – Um Grande sorriso se formou em seu rosto.

Devolvi o sorriso a ela e olhei para a janela. A lua brilhava e as estrelas também. Era uma noite perfeita. Uma leve brisa refrescou o quarto, e eu fechei os olhos, pensando no que poderia acontecer amanhã.

Sentia algo bom no ar, sentia que daria tudo certo. E espero que realmente dê tudo certo.

Mal podia esperar amanhã, para conseguir vê-la.

Não consigo parar de pensar nisso.

Que chegue logo o amanha...

...Marisa...

...Eu estarei esperando você...

...Para dizer...

...O quanto...

...Eu amo você.

– POV: Marisa.

Ainda tocava meus lábios com o doce gosto dos lábios da Alice neles. Sorri por um minuto. Eu realmente gostei disso.

Mas espere, isso é um tanto errado. Somos duas garotas, e garotas não podem se relacionar, podem?

Olha só, eu a “Maga que controla o Amor” tendo problemas com amar outra garota, que irônico.

Mas eu não vou negar que gostei daquilo... Foi doce e delicioso... Eu quero outra vez e... AAAAAA o que eu estou pensando?

Continuei voando e pensando no que tínhamos feito até chegar em casa.

Eu estava pensativa demais que acabei não notando as varias coisas no chão. Tropecei e cai em cima de outras coisas, mas nada grave.

–Eu realmente PRECISO arrumar um tempo para ajeitar essas coisas. – Eu falei bem alto, não gostava de ter meus pensamentos interrompidos.

Com algum esforço, consegui ir ate o quarto e deitar na cama, de bruços. Abracei o travesseiro, e pensei naquilo novamente.

A cena passava continuamente na minha cabeça, e eu sempre conseguia sentir o gosto dos lábios da Alice. Era uma sensação muito boa que eu com certeza iria querer sentir de novo.

Mas e se a Alice tivesse apenas agido de forma estranha e não quisesse fazer isso? E será que ela também está se sentindo como eu estou me sentindo, confusa?

Talvez sim... Talvez não... Malditas perguntas sem resposta!

Soquei o travesseiro uma vez e me senti estranha. Porque eu estava preocupada com o que a Alice estava pensando?

Será q eu realmente gosto dela desse jeito? Mas somos garotas, não tem como isso acontecer.

Esses pensamentos ficam passeando pela minha mente, não posso me concentrar dessa forma.

Tentei fechar os olhos para dormir, mas com os olhos fechados os pensamentos ganhavam formas e cores como se eu realmente estivesse vivendo o momento. Isso me atrapalhou ainda mais para me manter calma e concentrada.

De repente tive a idéia de ler o “My Little Sweet Witch”, talvez ele me distrai-se.

Apanhei-o que estava em cima da mesinha do quarto, e voltei para a calma. Folheei a procura da pagina a qual havia parado.

Consegui encontra-la, pagina 102. Estava no começo do capitulo 15, a historia estava interessante ate aquele ponto, pena eu não lembrar muito por causa do que aconteceu na casa da Alice... Mas enfim! De volta a leitura!

–“Capítulo 15: Confusa...?” – O título me chamou um pouco de atenção. Porém deixei isso de lado, pois sempre que notamos que estamos de algum jeito, as coisas que não víamos passam a aparecer.

–“Quem nunca teve uma pequena duvida sobre seus próprios sentimentos? Todos já tivemos que pensar muito antes de tomar decisão referente a assuntos do coração. Eu também tive esses problemas, e olha, eles me causaram uma grande dor de cabeça naquele momento. Talvez eu deve-se ser mais compreensiva com esse tipo de coisa, que eu digo, amar alguém como eu amo essa pessoa.” – Nesse ponto, comecei a notar que algo estava ficando estranho, a historia parecia se desenrolar de uma forma familiar, mas eu ainda estava pensando ser só uma coincidência.

–“Se você acha que tudo que você fez quanto a amor foi “errado”, então pode se dizer que é amor verdadeiro.” – Eu sorri ao ler essa parte, estranhas coincidências.

–“Não vou ter medo de falar o que sinto, pois é verdadeiro.” – Novamente outro sorriso, e outra grande coincidência.

Continuei a ler o capitulo com atenção, já não pensava tanto nos problemas que tinha q enfrentar, mas quem sabe... Amanhã eles não viriam à tona novamente?

Eu deveria parar de pensar nisso e ir dormir, já estava bem tarde e eu ali, pensando no que fazer. Mas eu não conseguiria dormir pensando nisso.

Então, voltei a distrair a mente com a historia, passando por tantas paginas que não consegui contar.

Com os pensamentos na historia e meu cansaço mental, o sono veio atacar. Pena eu estar concentrada na historia e não ter percebido quando ele chegara, “clandestinamente” até mim.

Coloquei o livro de volta na mesinha e voltei para a cama, tirando o cobertor que estava sobre ele para me tapar.

O sono já estava quase me tomando por completa. Já não sentia as pernas se os braços. E rapidamente meu corpo ficou “imóvel”, apenas minha mente ainda tentava resistir, mesmo que sem sucesso, a ele.

Meus olhos lentamente se fecharam e antes de ser levada ate a “paz” do sono, pensei:

–Ótimo! Esqueci de marcar a pagina que parei...- E assim adormeci.

...
Primeiro Dia

Por volta das 11 da manhã, abri um dos olhos e rapidamente o fechei por causa da claridade.

Comecei a tentar abri-lo de novo, com mais calma, ate ele se acostumar a luz do sol entrando pelo vidro da janela.

Com um pouco de preguiça, tirei o cobertor de cima de mim e sentei na cama, coçando os olhos.

Olhei para a janela e pude ver a luz do sol que entrava pela mesma. Abri a janela, que por sinal era algo que eu não fazia a bastante tempo, e pude ver o céu estava um pouco nublado, mas não tapava a luz do sol.

Senti uma brisa leve e fechei os olhos. Ela estava bem gelada. Era o sinal de uma possível chuva pelo que dava pra notar.

Andei até o banheiro e fiz as necessidades matinais e voltei ao quarto, onde “fiz meu café” usando magia: Uma xícara de café e alguns biscoitos em formato de estrela.

Comecei a comer enquanto remexia em alguns livros que estavam sobre a mesinha, e notei o “My Little Sweet Witch” entre os livros. Ele me fez lembrar da Alice e do beijo da noite passada. Deixei-o de lado e fui “estudar”.

...

Passou muito tempo depois de eu ter começado, que já estava quase de noite. Comecei a empilhar os livros no canto da mesa, ate, novamente, encontrar o “My Little Sweet Witch”.

Eu sabia que olhar aquele livro me fazia lembrar da Alice por “N” motivos. Decidi ler algumas passagens dele que eu gostava, pois me faziam lembrar dela.

–“Me sinto bem ao seu lado, mesmo que às vezes, não demonstre isso.”.

–“Mesmo que você não ligue, eu realmente gosto de você.”

–“Não me sinto bem se você também não se sentir da mesma forma.”

Olhando essas passagens, caíram algumas perguntas na minha mente.

Qual era a relação entre Alice e Eu?

Éramos Amigas?

Ou algo mais?

O que eu sentia por ela?

O que ela sentia por mim?

Essas são perguntas que eu não responderia de forma fácil e nem com tanta certeza.

Passei o resto desse dia pensando nessas perguntas sem resposta.

Já bem tarde, fui para a cama e pude ouvir uma chuva começar.


Segundo Dia

Levantei rapidamente e fiz tudo que tinha que faz, eu estava estranhamente agitada aquela manhã.

“Fiz o café” e comecei a comê-lo no meu quarto como de costume. Podia ouvir a chuva caindo e dar aquele perfume de grama molhada. E realmente, ela estava forte aquela manha.

O resto do dia não foi muito atraente, apenas li algumas paginas do “My Little Sweet Witch” e estudei outros livros que estavam pelo quarto “parados”. Depois fiz um lanche porque a fome bateu na porta.

Após outro período de estudos, resolvi ir dormir, pois já estava bem tarde. E essa rotina se estendeu por mais três dias.

Quinto Dia

Acordei e a chuva já havia parado, dando lugar ao sol entre nuvens. Resolvi que hoje deveria sair de casa um pouco, que deveria conversar com alguém. Talvez eu realmente estivesse precisando de uma segunda opinião.

Fiz o que faço todas as manhãs e esperei chegar à tarde para poder sair.

Cheguei ate a porta e apanhei minha vassoura, aonde eu iria para me distrair um pouco?

Fiquei pensando um pouco na porta, e resolvi ir ate o Kourindou, que é a loja do Kourin. É uma loja de antiguidades onde o Rinnosuke vende algumas poucas coisas para algumas poucas pessoas, e eu sempre passo lá para pegar algo emprestado.

Fechei a porta e levantei vôo, em direção ao Kourindou, que fica mais ou menos no meio da Floresta da Magia. Por sua localização “privilegiada” ele não vendia la muitas coisas, mas conseguia lembrar de todos os seus produtos sem esquecer um. Era bem impressionante.

O Rinnosuke, que “carinhosamente” chamou-o de Kourin, é bem legal. Ele que me entregou o Mini-Hakkero e me ajudou com algumas coisas para minha casa. Apesar de ele reclamar muito às vezes, tínhamos algo em comum. Sim, nos dois vivíamos no meio de uma pilha de coisas.

Chegando próximo ao Kourindou, desci com a vassoura e pisei em terra firme (e molhada) bem próximo a algumas arvores que ficavam em volta da Loja. Caminhei até a porta e com um esforço a abri.

O Kourin estava sentado em uma cadeira com um aspecto requintado, com um livro sobre o rosto, como naturalmente fazia. Ele sempre ficava lendo livros, já que poucas pessoas tinham a coragem de chegar até a sua loja por conta da localização. Entrei e fechei a porta, e mesmo assim ele não notou a minha presença. Talvez seja esse o fato de eu pegar as coisas e ele so notar depois.

Cheguei mais perto e olhei o título do livro que estava em suas mãos, estava escrito: “Era Digital Vol.1”. Puxei o livro para o alto e enfim ele notou a minha presença.

Mas quem... – Ele olhou para mim, e fez um rosto indiferente, mas ainda tinha uma expressão convidativa. – Marisa, como vai?

–Vou ótima, e pelo visto você também, eu acho. –Sorri para ele. Apesar da sua aparente solidão, fora alguns “compradores” que se arriscavam a vir ate aqui, ele não ligava muito para companhias.

Então, precisa de alguma coisa? Ficaria feliz se você compra-se alguma coisa. –Senti uma forte indireta, mas ignorei.

–Apenas a passeio, estava sem nada para fazer em casa e decidi sair para descontrair. E meu tédio me levou ate aqui. – Eu falei isso, mas na minha mente queria pedir ajuda com o que estava sentindo pela Alice, se ele poderia me ajudar.

Conversar? Tem algo acontecendo? – Ele logo suspeitou.

–Bom... Digamos que sim. –Eu meio quase gaguejei ao tentar falar isso.

Algo com a Alice? – Ele realmente sabia como chegar direto ao ponto.

–B-bem... Sim. – Respondi, meio que sentindo minha bochecha começar a queimar um pouco.

Eu notei porque você sempre vinha com ela aqui ultimamente, vocês estavam bem próximas. –Ele sorriu e fechou os olhos, completando seu raciocínio –Estranhei o fato de você estar sozinha, e ainda por cima, com uma cara de quem precisa conversar.

Realmente, às vezes o poder de percepção do Kourin me assusta. Ele soube apenas com uma simples troca de olhares que eu precisava de ajuda.

E então, o que houve? – Ele perguntou pegando o livro das minhas mãos e repousando-o sobre o colo.

Primeiramente eu fiquei com medo de contar, medo de ele me julgar mal.

–Eu e a Alice... Nos beijamos. –Falei de uma vez. Minha voz saiu meio tremula e envergonhada e eu comecei a olhar para o chão.

Entendo... É perfeitamente normal para mim. – Ele simplesmente falou isso, e eu levantei o rosto, olhando-o meio que boquiaberta.

–Duas garotas se beijarem é normal?! – Meu tom de voz saiu um pouco mais alto que o normal.

Se ambas se gostam, é perfeitamente normal. Dizem que um beijo sela um amor, não é? Você deveria entender isso melhor do que eu. –Ele ajeitou os óculos com umas das mãos. – Você não sabe se realmente ama ela, ou você está com medo de que ela não te ame?

Parei para pensar nisso, e fiquei quieta.

Eu realmente não sabia se era realmente um “amor” que eu sentia pela Alice. Mas que era algo forte... Não posso mentir.

–...Eu me sentia bem com ela, sempre ficava feliz por estar com ela. – Eu falei, meio que passivamente.

Isso é “amor”. –Ele disse, me fazendo abrir os olhos. – Você a Ama.

Eu pensei que pensar dessa forma era loucura... Mas agora faz sentido. A Alice é muito importante para mim. Nos sempre estávamos juntas... Fazia sentido.

Amor é assim mesmo, é confuso. – Ele complementou.

Sim, amar é confuso. Muito confuso!

Senti uma grande queimação no coração, lembrei do beijo e meu coração começou a disparar. Levei a mão ao peito, e comecei a sentir minha bochecha queimar.

Bom, você precisa conversar com ela. Mostrar que você gosta dela. O resto... –Ele fez uma pausa rápida. –... É com o destino. –Ele sorriu.

Olhei para ele, estava com a expressão de quem sabia o que estava falando. Eu comecei a sentir meus olhos marejarem, como eu só pude notar isso agora?

–Obrigado Kourin. –Eu passei a mão no rosto, limpando as lagrimas.

Ele apenas fez um sinal de “sim” com a cabeça. E se levantou, dando-me um abraço.

No fundo, acho que o Kourin sempre foi um “pai” para mim, apesar de sempre parecer a “filha rebelde”, e ele sempre conversava comigo sobre alguns livros que leu sobre o mundo humano e entre outras coisas.

Apenas, não desista desse amor, certo? –Um sorriso amigável se formou em seu rosto.

Cocei os olhos novamente e também sorri. Fiquei mais algum tempo por la, tomando chá e conversando com o Kourin, até ficar bem tarde.

Já estava escuro quando sai de la. Me despedi do Kourin e levantei voou de volta para casa.

Shortscene – Rinnosuke

Após fechar a porta, Rinnosuke se dirigiu até seu balcão, onde apanhou um livro e observou o titulo, rindo.

–No fim das contas, não foi de todo mal ler esse livro. –Ele agora colocava o livro de volta no balcão.

Na capa, escrito com letras brancas em alto relevo, estava escrito: “Os jovens de hoje em dia”.

Shortscene - End

De volta a minha casa. Voltei ao quarto e peguei o “My Little Sweet Witch”. Li mais paginas, já estava praticamente no fim. Faltava apenas um capítulo.

Comecei a me sentir sonolenta. Guardei o livro e deitei na cama, buscando relaxar.

–Logo irei ver a Alice... E falar pra ela tudo que sinto. –Fechei os olhos, e me entreguei ao sono.

Sexto Dia

Acordei, cheia de disposição. Consegui estudar bastante alguns livros, e depois sai para uma “pesquisa de campo” com cogumelos.

Passei a tarde inteira vagando pela floresta a procura de novos cogumelos para estudo. Colocando-os em uma pequena cesta de palha.

Comecei a andar mais a fundo na floresta, ate entrar em uma pequena clareira, bem conhecida por mim.

Nela havia uma casa pintada de branco, com um aspecto requintado.

Era a casa da Alice.

Parei para pensar, se não estava negligenciando “aquele” assunto fazendo tudo que estava fazendo.

Comecei a olhar para a casa dela, e por mais engraçado que pareça, tinha a mesma visão de quando nos conhecemos.

Sorri para mim mesma, lembrando da nossa conversa daquele dia, até meus pensamentos serem cortados por um estranho barulho.

Como um jato, uma pessoa “pousou” sobre a grama perto da porta da casa da Alice, pude ver que usava um vestido que em uma parte era azul, e a outra vermelha.

Reconheci aquela roupa. Era Eirin. Mas o que ela estaria fazendo aqui? So se alguém estivesse doente ou algo assim...

Espera. Eu lembro da Alice ter ido ate a Eientei recentemente. Será que...?

Logo após Eirin, pude ver Shanghai voar e pousar no grama, corri até ela, buscando saber o que houve.

–O que houve Shanghai? Algum problema?- Perguntei me aproximando.

A mamãe desmaiou! Ela teve uma grande dor de cabeça naquele dia e está dormindo desde então! Eu e Hourai ficamos preocupadas e agora fomos chamar a Enfermeira... –Isso foi como um baita chute na barriga pra mim.

Meu coração disparou e eu larguei a cesta, correndo para dentro da casa e indo em direção ao quarto da Alice.

Ao entrar lá, podia vê-la deitada, com um rosto de quem sente uma forte dor. Estava coberta com um cobertor branco, e havia um lenço branco aparentemente úmido em sua testa.

Eirin entrou no quarto, pedindo licença para examiná-la. Eu fiquei estática ao ver aquilo, a Alice realmente estava doente como eu suspeitava.

Pude ver Eirin verificar o pulso da Alice, e depois, fazendo um pequeno circulo mágico, “examinar” algo em sua testa.

Ela está bem, está apenas descansando a mente. Ela deve ter feito muito esforço. –Isso me aliviou um pouco.

–Mas afinal o que ela tem Eirin? Eu preciso saber... –Meus olhos ficaram marejados naquele momento.

Ela me levou até a sala da casa, prometendo me explicar tudo. Chegamos a sala e nos sentamos no sofá. Ela começou a explicar.

–A Alice tem uma doença delicada... Que afeta o cérebro dela, causando pesadelos horríveis e outras anomalias mentais. Mas esses sentimentos se mostram mais fortes quando a vitima está sobre situações delicadas. Então, temos que evitar que ela se aborreça, ou fique muito longe de situações desse tipo.

Então... A Alice realmente estava doente... E ainda era doença grave.

Só peço que, na minha ausência, você fique cuidando dela. Afinal, aparentemente ela acha você importante.

Então... A Alice me acha uma pessoa importante...
Senti lagrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu estava feliz por saber que ela gostava de mim, ou triste pela sua doença? Era uma mistura de sentimentos.

–Não chore. Assim você não vai poder ajudá-la. Recomponha-se. –Eirin deu um sorriso, o que não era muito típico dela.

–Você tem razão... - Olhei para ela, e limpei as lagrimas.

Eirin me explicou mais algumas coisas sobre a doença da Alice, e depois foi embora, me pedindo para ficar com ela até o anoitecer, para caso ela acordar, explicar que deve fazer.

Fiquei ao lado dela, junto com Shanghai, observando, esperando uma reação, qualquer coisa para me deixar mais tranquila.

Espero que ela fique bem... –Pude ouvir Shanghai dizer isso. – Vou ajudar a Hourai com a casa, tome conta da mamãe Marisa! –Assim Shanghai saiu do quarto, deixando eu e a Alice “sozinhas”.

Olhei para seu rosto. Estava mais sereno do que nunca. Uma expressão calma agora, de quem realmente só estava dormindo. Seu cabelo não estava mais preso pela fita vermelha, fazendo um pouco dele cair sobre sua testa.

Olhei para seus lábios e pensei no beijo de antes. Minha bochecha queimou por um segundo.

Continuei a observá-la dormir, era tão bonita daquele jeito...

Eu cheguei perto de seu rosto, conseguindo ouvir sua fraca respiração e seu doce perfume.

Com um pouco de coragem, ou loucura, dei-lhe um beijo, um pequeno selinho, em seus lábios. Mesmo que tenha sido apenas isso, consegui sentir o mesmo gosto doce de antes, me fazendo ficar com os olhos marejados novamente.

–Eu vou te ajudar... Vou te proteger... Então... Fique bem logo... –Uma lagrima escorreu da minha face.

Levantei-me e fui em direção a porta, já estava tarde e eu precisava ir para casa.

Andei até a sala, onde Shanghai e Hourai organizavam algumas bonecas para cuidarem de tarefas da casa enquanto sua mãe estivesse naquele estado.

–Amanhã voltarei... Cuidem bem dela, ta bom? –Apenas consegui dizer isso, não escondendo meu rosto triste.

As duas fizeram que “sim” com a cabeça, e se despediram.

Voei rapidamente para a casa. Logo deitei na cama e tentei dormir, mesmo tendo tanta informação para digerir, meu sono foi chegando.

–Alice... Espero que você fique bem... –Foi meu ultimo pensamento, antes de entrar em sono profundo.

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Fanfic de autoria de Shisuke: My_Little_Sweet_Witch

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