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[Sessão de Jogo] O Anjo que me Matou - Cap 0


Há muito, muito tempo havia uma princesa num reino distante. Ela era diferente, capaz de assumir várias formas com sua vontade, formas essas que possuiam personalidade e experiências próprias. Seu pai, o rei e um humano, odiava ter de dividir seu tempo com tantas "pessoas" diferentes, quase sempre brigando com as outras formas que a filha assumia. Sua mãe, uma Kitsune de grande poder, via aquilo como algo engraçado e único, orgulhosa de ser a mulher que trouxe tal estranho e curioso milagre ao mundo.

Um dia, esse rei se deixou levar pela frustração e procurou pela conselheira real, uma feiticeira de conhecimentos antigos, e a implorou por uma solução. Essa feiticeira era invejosa, e aceitou na hora o tal pedido, trancando-se em seu laboratório e saindo de lá com uma poção semanas depois. O rei enganou sua filha e a fez beber a poção, obrigando seu jovem corpo a passar por uma transformação inacreditável: cada uma das personalidades se separou de seu corpo e deu origem a várias garotas diferentes, cada uma com um poder próprio; a "verdadeira" personalidade da original se dissolveu e foi incorporada a todas as outras.

O rei, cego pelo desespero e arrependido de ter cometido tamanha atrocidade, se joga do alto do castelo e morre horas depois com os orgãos perfurados pelas rochas pontudas no fim do abismo. A rainha fica completamente desesperada e horrorizada, seu pequeno milagre fora ferido e seu marido se matara, só podia ser o começo do fim...

Cada uma das garotas foi para um lado...

Tempos depois...





Rebecca, a Viajante, estava descansando no topo de uma colina, logo abaixo da "árvore prometida", um tipo de cerejeira que nunca perdia a cor rosa de suas flores. Ela estava aguardando seu namorado, um poderoso guerreiro humano, e esperava que ele trouxesse o jantar já que ele que cozinhava. Ela lembrava que fazia um mês que eles se conheceram pela primeira vez, depois de vários anos viajando de vila em vila, cidade em cidade, procurando um lugar para chamar de seu...

-- Nossa, que demora! *levanta rapidamente, olhando para os lados* -- Ele já deveria ter chegado, aquele pateta!

O rapaz não estava tão longe, carregava uma cesta de comida e um bolo, feito apenas para os dois. Em poucos minutos ele chega e a abraça por trás, baixando a guarda dela. Ele se desculpa pela demora, e logo começam a comer.

-- Você tem um dom pra isso, devia largar essa vida de herói! *dava outra mordida no bolo, estupefata com a habilidade usada e feliz por dividir aquele momento com ele.

Ele diz que era esse trabalho que lhe permitia morar na cidade e receber pelos ingredientes de seus pratos tão bons, com uma expressão levemente ranzinza.

-- Desculpa, não quis ser egoísta!

O tempo juntos não demora muito, e logo uma grande explosão é ouvida. Ao olharem para o lado que ela se originou, veem a cidade em chamas, ardendo violentamente. O rapaz se levanta e corre para a cidade, sem sequer falar com Rebecca. Ela o observa correndo para lá e sumindo na floresta que separava a cidade da colina. Algumas horas passam e ele não volta...

-- Agora vou ter que dar uma de babá, fala sério... *tentava parecer calma com o comentário, mas tremia de medo por dentro*

Rebecca abre suas asas e voa até a cidade, observando as ruínas das casas, pessoas dilaceradas e... Não podia ser verdade... Ela pousa, sem palavras, ao lado de metade do corpo de seu amado. O rapaz fora rasgado por alguma garra monstruosa e deixado ali, queimando no fogo, largado aos animais famintos que viriam em seguida ao fim do incêndio.

Os culpados nunca foram encontrados, e Rebecca nunca mais falou sobre isso. Hoje em dia ela viaja de um canto a outro, evitando passar tempo demais numa vila ou cidade para evitar que tal tragédia acontecesse novamente.

***


Kaori, a Solitária, andava por uma estrada esquecida pelo tempo e pelas pessoas. Ela olhava para as árvores e se sentia só, olhava para as plantas e se sentia só...

"Quanto tempo faz que não a vejo?"

Ela prosseguia seu caminho sem medo, sem hesitar. Estradas guardavam todo o tipo de perigo, inclusive as mais velhas, sem falar que ela estava numa floresta escura e velha, lugar ideal para bandidos e seres de má índole espreitarem, aguardando por mais uma vítima fácil. De fato, realmente havia um grupo de Kobolds por perto, procurando por comida fácil na área mais interna da floresta. Kaori não notara o barulho que a turba fazia, passando por perto deles mergulhada em pensamentos e devaneios.

"Eu gostaria bastante de comer peixe assado com ela de novo, é tão bom quando tem molho de soja!"

A turba notara a presença dela e já se aproximava furtivamente, preparando uma rápida emboscada com redes e lanças previamente feitas para capturar animais grandes. Ajustando as cordas e as redes num ponto mais a frente, os Kobolds conseguiram prendê-la com sucesso, já que a única diferença que ela tem é que, uma vez, dividira o corpo com duas outras personalidades; o resto é história. Kaori estava sendo arrastada já há algum tempo pelos Kobolds, sem conseguir enxergar direito o que acontecia ao seu redor.

-- O chefe vai adorar essa garota! *diz um dos Kobolds* -- Vamos até ganhar comida extra, já posso até sentir o gosto!

Eles riam e riam, deixando claro que a garota não teria um fim feliz. Enquanto que seus olhos se ajustavam a mudança de luminosidade, Kaori sente uma pedra estranha entrar na rede e quase se esconder em sua mão. Tentava ver o que era e onde poderia estar sendo levada, mas tudo estava confuso demais. Logo, os Kobolds param e soltam a rede, revelando um tipo de caverna com tochas mal feitas e um grupo muito grande mais a frente, com o que parecia ser o superior olhando para a garota.

"Eu não quero morrer!"

Kaori apertava a pedra e sente, finalmente, algo diferente sobre ela. Olhava e, no instante que a cor diferente e a textura única são reconhecidas, Kaori se levanta, aponta a pedra para os Kobolds e grita a plenos pulmões, ativando o poder da pedra e fazendo uma pequena esfera de luz se concentrar na frente da turba e explodir com violência absurda, matando a grande maioria dos seres malignos ali presentes. A garota aproveita para fugir o mais rápido que pode do lugar, até não conseguir mais aguentar os pulmões queimando e as pernas tremendo.

"Eu... consegui?"

Infelizmente, ela não se deu conta de onde estava. Retomava o fôlego aos poucos e olhava ao redor, reconhecendo os destroços e ruínas em brasas de onde deveria estar a cidade que era seu destino até mais cedo. O suor se confundia com as lágrimas, o alívio de fugir se tornava o desespero de estar ali...

***


Izumi, a Sacerdotisa, não se sentia confortável com a vida que levava. Era verdade que a vida de uma Sacerdotisa não é fácil, mas quando não havia nenhum inimigo para enfrentar, nenhum youkai para exorcisar, nada para fazer. Ela apenas sentava na varanda e observava o movimento das pessoas lá do outro lado da rua, sem poder interagir com elas sem que as faça perder parte de seu tempo ou mesmo sair dali, pois alguém poderia aparecer pedindo por ajuda...

-- Saco, essa vila está calma demais, por que nada acontece por aqui?

Algumas semanas passam, e o marasmo apenas continua. Izumi começou a pensar se não devia ela mesma fazer algo para mudar aquilo tudo, quando um rato azul entra em seu quarto. Ela não tinha medo de animais, então apenas o observa.

-- Acho que até você tem coisas mais interessantes pra fazer, não é? *se aproxima do rato e o olha, com um pouco de inveja* -- Você veio até aqui para que, poderia me dizer?

O rato se levanta e a olha, movendo a boca e as orelhas como se tentasse falar algo, mas era impossível entender aquilo, aquela estranha dança que ele fazia. Izumi movia as próprias orelhas para os lados, inconscientemente, acompanhava a dança do rato sem querer. Um leve sorriso preenchia os lábios da garota, era algo estranho, porém engraçado e interessante.

-- Espera um pouquinho, vou te pegar um pedaço de queijo.

Ela estava quase completamente em pé quando sentiu o perigo e se jogou para fora da casa, pegando o rato com uma mão no processo e livrando os dois da morte certa: um enorme ser acabara de tombar sobre o templo, esmagando o lugar completamente. O templo de mais de cinco séculos de idade agora estava sob o peso de uma enorme criatura, destruído e irreconhecível. A curiosidade de Izumi substituía a fúria de ter sua única casa arrasada por motivo algum...

-- Ei, você! *ela gritava para o ser, sem olhar o que poderia ter causado aquilo* -- O que houve, posso ir com você, qual o seu nome?! *a adrenalina de finalmente ter alguém para conversar a fez abandonar todo o senso comum, e começara uma tentativa de conversa com ele*

O ser se levantava, desengoçado, e batia suas asas retomando o voo, e ia para algum lado. Izumi o olhava de longe, admirando sua curvatura e escamas, lembrava em muito um dragão mais humilde, provavelmente uma wyvern. Ao olhar para a criatura indo embora, nota um cheiro de algo queimando, talvez... carne... Quando deu por si, viu que a vila que estava ardia no fogo sobrenatural de alguma coisa, grupo ou acidente; ela não o sentiu por causa do terreno protegido por amuletos antigos e feitiços de outros sacerdotes, destruídos quando a wyvern se chocou contra o templo. A alegria fora substituída por tristeza e desespero.

***

Essa é a introdução das três peças chave das novas Sessões de Jogo do Atmoland. Não adianta chorar ou tentar ajudá-las, seu fim já está escrito.

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