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Acho que me perdi - Capítulo 5




- Sua missão é descobrir o que aconteceu com a "GM" deste lugar.
As palavras dela ecoavam pela minha mente. "GM"? Se for o que estou pensando, pode ser que algo sério tenha acontecido com a "zeladora" deste zoológico.
- Tsukasa, tudo bem?
Eu estava um pouco desnorteado com a tal proposta e, sem perceber, aceitei o pedido de Yumi de passar a noite na casa dela. Depois que ela se despediu das Hakurei começamos a caminhar e conversar um pouco, trocando algumas ideias e passando o tempo.
- Hã? Ah, desculpe, estava pensando um pouco aqui, nada de mais.
O tal lugar era uma casa grande, com dois andares e bastante ventilada. Situada na Vila Humana, a casa Sakanae lembrava um antigo dojo que passou por alguma grande reforma e teve as paredes removidas; tinha até um pequeno altar numa área, reservado para alguma divindade que eu não tive vontade de checar qual era. Ela me levou até o interior da casa, onde me pediu para esperar no que seria a sala de visitas/pátio. O mais engraçado era a senhora de roupas vermelhas, longos cabelos brancos e prendedor de cabelo engraçado sentada numa cadeira mais distante, tricotando o que parecia ser um pequeno vestido ou avental, do tamanho de uma boneca. Ela sorria de forma boba enquanto tricotava, passando uma aura materna e acolhedora.
- Aqui, um pouco de água gelada.
Yumi volta lá de dentro e me dá um copo de água gelada. Normalmente o pessoal oferece café ou chá para as visitas, mas ela meio que sabia o que eu queria naquele momento: uma pausa.
- Oh, água? *Sorrio.* - Muito obrigado, estava mesmo querendo me refrescar um pouco. Odeio queimar a língua assim do nada.
Ela ri um pouco, acho que falei algo engraçado e não notei. Sento na varanda, olhando o pátio vazio. Ela se senta um pouco distante de mim, com espaço suficiente para uma pessoa e meia ocupar. Dou alguns goles lentos, saboreando a água, perdido em pensamentos diversos.
- De onde você é?
Levo um rápido susto e me viro. Yumi me olhava com uma expressão curiosa, que batia com a emoção que ela sentia no momento. Coço a nuca com a mão livre, nem sei se deveria falar algo mais sobre onde vim e tal, não sei que tipo de influência teria sobre esse povo único, perdido no tempo.
- Bom, lá em casa é tudo maAAAAAHH!!!
Quando começo a falar sinto uma dor gigantesca na canela direita. Olho e vejo uma garotinha loira, de camisa de mangas longas branca, vestido preto e um laço vermelho no cabelo. Eu lá tenho cara de hambúrguer?
- Rumia! *Yumi se levanta e puxa a garota pelas pernas, tentando soltá-la da minha.* - Ele é uma visita!
- Sério? *A garota abre a boca e ambas caem no chão. A cara de perdida da infeliz me dá raiva.*
- Caramba, você tá doida, pirralha?! *Esbravejo.*
Yumi vem correndo olhar o feio ferimento. Os dentes afiados da outra fizeram um tremendo estrago na minha canela, sangrava bastante. Ela fica desesperada, corre de um lado para outro pra pegar bandagens e parar o sangramento, depois sai correndo para a casa da médica com Rumia debaixo do braço a fim de tratar melhor o ferimento.
- Nossa, só dou de cara com mulher doida...
- Ela é inocente, aquela criança.
Pela primeira vez, a senhora da cadeira fala. Ela se levanta e vem até mim, e percebo que já a vi antes, muito antes, de ter chegado aqui.
- O que está achando de Gensokyo, Leo? *O mesmo sorriso bobo no rosto.*
- Você me conhece de onde? *Me virei um pouco para olhá-la em pé. Qualquer movimento extra fazia a perna doer mais.*
- Nós nos encontramos no Capítulo 0.7, lembra? *Ela toma o mesmo lugar que Yumi estava antes ao se sentar.* - Desculpe, quase quebrei a tal "barreira". *Ela ri.*
Certo, Capítulo 0.7... Tem algo assim por aqui? É algum código? Alguma propaganda para o que está por vir? Por que eu só me ferro? Ela retoma a conversa.
- Queria me deculpar por te trazer de forma tão brusca pra Gensokyo, mas achei que deveria fazer isso. 
- E qual a razão? *Continuo sério, de vez em quando gemendo de dor.* - Vai me dizer que só me trouxe "for the lulz"? Só quer me deixar irritado?
- Eu não gosto de irritar os outros sem motivo, só quando estou com vontade de brincar com essa pessoa. *Ela olha para frente, a expressão fica mais triste.* - Faz bastante tempo que não brinco com ninguém... E não, não foi por isso que eu fiz o que fiz.
- Ótimo, pode falar, sou todo ouvidos.
Sem se virar para me encarar, ela começa a contar sua história. A cada nova frase sinto que ela mergulha numa tristeza ainda maior, e começo a me questionar...
- Fazem alguns anos que duas garotas foram até minha casa, que fica em outro lugar, outro mundo, me obrigar a impedir que meus filhos viessem para cá. Eu fiquei feliz de saber que tinha gente tão forte em outros mundos e que tinha interesse de saber como era a minha casa. Nós jogamos e nos divertimos bastante, e eu acabei perdendo. Por causa disso, acatei o pedido delas e trouxe grande parte de meus filhos de volta, todos os que eu pude alcançar, exceto uma... Ela era linda, uma esplêndida garotinha, solitária e tímida como uma jovem humana. Sempre chorava pelos cantos por não conseguir fazer amigos... Eu não pude alcançá-la e pedi para que alguns de meus filhos fosse resgatá-la. O que ela fez foi horrível, parecia tão cheia de ódio e rancor para comigo... Eu só a queria do meu lado de novo, eu não...
Me questiono se tudo o que fiz até hoje com meus pais valeu a pena. Ela estava prestes a chorar, uma mãe que fora rejeitada por sua filha, e eu mal pude compreender o que era sentir aquilo.
- Vai que ela entendeu tudo errado?
- Não, aquilo foi uma decisão dela, e só dela. Eu vim até aqui pra ver como ela estava, mas não consegui reunir coragem para ir até a nova casa dela.
Agora sim caiu minha ficha.
- Certo, você me arrastou da minha casa, do nada e sem me pedir, pra fazer as pazes com sua filha em seu nome!?
Ela não vira para falar sua última frase, continua fitando o chão com uma expressão de quase choro. Por que ela me meteu nisso?
- Eu não te arrastei: te escolhi. Assim que sua alma saiu de seu corpo, eu o escolhi e o acolhi, trouxe para cá e agora revelo meu plano.
- Alma... saiu...

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