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Acho que me perdi - Capítulo 6


Shinki começa a rir.
- Estou brincando, você não morreu.
Eu começo a ficar irritado, com razão.
- Achei que era mais uma daquelas histórias que o protagonista morre e vai parar num mundo fantástico...
- Não, acho que o autor não seria tão besta a ponto de repetir a mesma coisa sempre.
Ela se aproxima mais de mim, abraçando-me. Aquela aura materna não a deixava nem mesmo quando parecia me hostilizar.
- Vamos, eu posso te ensinar algumas coisas legais, como magia e truques de mágica.
Me sinto um pouco... perdido? Ela se afasta, me olhando fundo nos olhos.
- Esta é a sua aventura, sua vida. Eu pedi para que te trouxessem pra cá assim que fosse possível, então não sei o que houve contigo lá do outro lado.
- Falou, falou, e não disse nada.
- Ah, desculpe...
O silêncio impera por alguns momentos, até Yumi voltar com Reisen ao lado. Elas começam a tratar minha perna e, no meio da confusão, Shinki some. Eu fiquei um pouco mal por ter sido tão grosso e frio, mas era verdade: ela não me respondeu nada. Pode ser que eu a veja de novo, mas não sei se iria me desculpar ou gritar com ela. Reisen me obriga a ficar de repouso por algum tempo até sarar a ferida, já que meu sistema imunológico não era tão forte a ponto de aguentar o novo veneno que Rumia estava produzindo no organismo. Fiz de conta que entendi o que ela dizia e fui até um quarto que Yumi me deixou usar, deitei no futon e fiquei lá, olhando para o teto.
- ... hã?
Sem que eu tivesse notado, acabei caindo no sono e só fui voltar a mim quando já era tarde da noite. A lua brilhava com tudo lá no céu noturno, completamente cheia.
- Bonita, não acha?
- GAH!
Dou um semi pulo do futon, e caio em dores quando sinto a perna ferida. Shinki estava deitada perto de mim, sorrindo feito uma boba, só olhando as macaquices que eu fazia.
- Isso tudo só por que eu apareci?
- Sim, feito uma fantasma glutona.
Por um instante, acho que ouvi um espirro ao longe, mas ignoro. Retomo a conversa.
- Como você entrou aqui sem que eu ouvisse? Melhor, pra que veio?
- Xinforínfolas.
- Perdão?
Ela ri mais um pouco. Nossa, que mulher doida. Foi ai que eu notei que não conseguia ler as emoções dela, como se não desse para passar pela "parede inicial" que todos temos. O por que era bem óbvio para mim, nem fiquei surpreso.
- Eu só vim por que... *Começa a enrolar o indicador esquerdo numa mecha de cabelo.* - ... queria te ver. E te fazer um pedido.
Sim, claro que ela ia querer algo de mim, isso não é óbvio?
- Pedidos, missões, tarefas... parece que sou o garoto de entregas do mundo. Eu já tenho que descobrir o que houve com a Yukari Yakumo, e você já me vem com mais uma coisa?
Shinki pende a cabeça para um lado, com uma expressão de dúvida. Ela para de mexer no cabelo antes de me perguntar.
- Yukari... Yakumo?
- Sim, a mulher que pode criar portais pra outros lugares, fazer barreiras e coisas do tipo. Ela até ergueu a Barreira Hakurei sozinha 1300 anos atrás! Como você não sabia disso?
- Eu conheço pouco daqui de Gensokyo, mas nunca ouvi falar de nenhuma Yukari Yakumo, só de Ran Yakumo, uma antiga deusa que podia fazer o que você disse, mas sumiu há alguns anos.
- Oh, fuck.
Sinto um suor frio passar pelo meu rosto, o frio da merda tomar meu corpo, o frio de não saber no que foi que me meteram. As palavras dela ecoam na minha mente.
"Essa não é a Gensokyo que você conhece."
Me largo no futon e fico encarando o teto, perdido. Se não tem Yukari aqui, quem é a "GM" desse lugar? Essa é a informação que eu deveria ter conseguido? Será que Fake-Reimu me enganou?
- Oooii, tem alguém ai?
Shinki passa a mão na frente de meu rosto, tentando chamar minha atenção. Obviamente ela consegue.
- Eu... eu... eu acho que me perdi...

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