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Acho que me perdi - Capítulo 7


Nada que eu tinha "do lado de fora" poderia se comparar àquilo. Eu andei por vários lugares, conheci gente  que nunca achei que iria, até que esse momento chegou. Após dar meu "sim" à Shinki, ela materializou um livro, um tomo velho e acabado, praticamente do nada. Tinha um círculo mágico desenhado na parte da frente da capa e na contra-capa.
- Isso é o que eu acho que é? *Não consigo segurar a surpresa em meu rosto.*
- Sim, o seu próprio Grimório. Escrevi algumas coisinhas, mas você pode colocar suas pesquisas e feitiços ai também.
Aquilo era incrível demais para qualquer pessoa! Receber um tomo de magia de uma deusa, ainda mais de alguém que você sempre sonhou conhecer... Eu meti a mão no meu rosto com força, para ver se acordava, e não era um sonho.
- Nossa, você está mesmo animado, não é, Leo-kun?
Shinki sorria para mim, ainda sentada no chão.
- Vamos ver... que tal uma familiar? Pode ser interessante ter alguém pra te ajudar de vez em quando, não acha?
Ela aponta para uma página no livro, após abrí-lo, e mostra alguns escritos. Eu não entendo praticamente nada, óbvio, já que nunca fiz curso de "Makainês". Shinki meio que percebe minha cara de perdido e dá outro livro.
- Aqui tem um cursinho básico pra entender a língua do Makai. Não é tão complicado quanto parece, logo logo você vai fazer várias coisas incríveis.
Ela olha para a janela, para a lua lá no alto, e se levanta.
- Acho que passei mais tempo aqui do que deveria. Como você aceitou meu pedido, Leo-kun, peço que aceite meu desejo quando chegar a hora. Estarei esperando boas coisas de você.
Um pequeno círculo mágico vermelho surge abaixo dela e a envolve numa energia negra. Num piscar de olhos, ela some.
- Eu... vou aprender magia?
Começo a escutar a voz de Yumi chamando meu nome. Abro os olhos e percebo que tinha caído no sono. O Grimório e o Codex estavam abertos, um para cada lado meu, e eu deitado de costas no chão, com as pernas cruzadas. Passo a mão no rosto para limpar a remela e a baba e coloco os livros numa mesinha próxima, e depois o futon por cima. Sabe, uma certa bruxa ordinária pode passar por aqui.
- Já to indo!
A manhã foi bem agradável. Yumi sabe cozinhar bem, me fez algumas coisas interessantes para comer e conversamos um pouco sobre a rotina do povo da Vila Humana. Obviamente deixei a parte que Shinki conversa comigo em meu quarto de fora, para evitar transtornos, e noto que a perna ainda dói um pouco, mas não me impede de fazer longas caminhadas.
- Vejamos, algum mago por perto...?
Eu sei de alguns rumores que uma certa ex-residente do Makai fazia shows com marionetes para agradar as crianças por aqui, e também para melhorar sua reputação com o povo da Vila; rodo por algum tempo e não a encontro. Perguntei a algumas pessoas se a conheciam e estas disseram que o rumor é verdadeiro, mas que aquele não era um dos dias que a tal garota apareceria.
- Procura a garota Margatroid?
Perdido em pensamentos, sou acordado por uma voz masculina e velha. Olho para a pessoa e vejo um senhor de 40 anos, trajando um kimono gasto e com várias rugas no rosto.
- É, eu gostaria de perguntar algumas coisas sobre as bonecas...
O senhor me olha, sua expressão de poucos amigos e de alguém que teve uma vida bem difícil o tornam uma visão bem desagradável. O tom que ele usa em suas próximas frases é o de mais profundo ódio.
- Tratar com gente que usa truques sujos e corrompe a natureza com seus experimentos é o mesmo que pedir para ser linxado por gente de bem em praça pública. Desista de querer se envolver com esses monstros e tente ser uma pessoa normal!
A raiva que ele tinha ao falar dessas coisas parecia tão profunda e enraízada em seu passado que achei melhor ficar quieto e sair de fininho. Acho que algo aconteceu no passado dele, e pode ter sido com sua família... Logo que tento não pensar mais nisso, escuto alguém chegando até o senhor e falando algo.
- Kirisame-dono, o senhor não deveria ficar gritando com forasteiros desse jeito!
- Aquele rapaz precisa pôr juízo na cabeça, isso que eu digo.
Minha espinha congela. Sinto como se tivesse pisado numa mina terrestre. Esse nome era de alguém que tem uma carga MUITO negativa com usuários de magia, e ainda por cima tem um passado bem complicado com sua família... ou o que restou dela.
...
A noite chega, e eu não consigo achar ninguém que pudesse me ajudar. Volto para a residência de Yumi e a vejo sentada na varanda afinando o violão que tinha pego no Templo Hakurei.
- Olha só, nem sabia que você era artista. *Sorrio.*
- Ah, é só algo que faço para preencher meu tempo livre, não sou uma "estrela da música" ou algo assim.
- Que tal se você tocar algo para mim enquanto leio isso aqui? Passei o dia todo procurando uma certa pessoa e não consegui achá-la, então pode ser que eu consiga me concentrar se estiver lendo enquanto ouço música.
- Se você dormir, posso te beliscar?
Eu rio um pouco.
- Claro, mas só se eu cair no sono.

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