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A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

Broken Eidolon - Capítulo 2


Tremores. Balanço. Um zunido baixo. Maeko abre os olhos e se vê no espaço, no meio daquele oceano de vazio e estrelas. Ela não se assusta com o que vê, a princípio; estava ainda na cabine que o rapaz a colocara antes.
- Pri, vamos voltar pra esse planeta essa semana ainda?
Ela escuta a voz do rapaz no assento à sua frente, conversando com alguém que não estava ali. Repentinamente, a voz da outra garota é ouvida.
- Acho que não, o chato vai nos dar uma folga dessa vez. Melhor nem fazer planos pra voltar lá e pegar mais garotas, ok?
O tom dela parecia ríspido e brincalhão.
- Tá bom, tá bom...
Maeko continua em silêncio até ver uma grande construção à sua frente. Uma enorme cidade, talvez metrópole, feita de metal vermelho e que era cercada de várias outras naves "menores", provavelmente para sua proteção. O mais notável era qu ela estava flutuando no espaço.
- Hum...
Ela faz um som para indicar que estava acordada. O rapaz percebe e inicia uma conversa.
- Olá, e desculpe por te trazer sem perguntar antes, achei que precisava de um médico...
- Não, eu estou bem...
A visão continua a impressioná-la, e parecia que não chegavam nunca à tal lugar.
- Ah, aquela ali é a sede da nossa "casa", Tera Corps. É uma nave bem antiga, deve ter mais de 200 anos... E meu nome é Lukka Alphonsus Renael, mas pode me chamar de Lukka. Prieza, aquela ali, vai me chamar de RAL o tempo todo, então já fique avisada.
Lukka aponta para fora e Maeko vê a garota de antes voando pelo espaço, sem nada que pudesse ajudá-la a respirar ou se proteger do frio, e ainda assim estava ali, voando e falando normalmente.
- Meu nome é Maeko, foi o que a velha sacerdotisa me deu.
- Sacerdotisa? É um planeta de estilo oriental, suponho...
- Sim, o estilo de Viskey é o que mais se aproxima deste lugar, porém ainda mais antigo e feudal, como se fosse a antiga Terra.
Do nada, Maeko passa a falar como uma estudiosa do assunto, alguém que tinha pesquisado a fundo. Lukka se impressiona com a forma de falar da garota.
- Ah, você...
- Desculpe, eu não me apresentei direito. -Ri. - Sou Satomi Yumia, Baronesa do Domínio Yumia de Viskey.
- Ba-baronesa!?
- A história é longa, depois falamos sobre isso.
Lukka sequer responde, decide levá-la para a sede e deixar que o presidente a interrogue... Uma hora depois de pousar e reportar o que havia acontecido a seu superior, Lukka ouve de Prieza que o presidente iria finalmente conversar com Maeko, mas ele precisaria da presença de ambos para verificar a autenticidade das informações.
- Sabe, ela me deu um susto do caramba quando falou que era Baronesa.
- Culpa sua, não disse! - Prieza dá um soco no braço de Lukka. - Fica dando uma de cafetão!
- Saco, faz parte do plano, do plano!
A dupla continua a discutir pelos corredores enquanto vai para a sala de conferências. Qualquer um que visse de longe entenderia de cara que se tratava de dois amigos conversando.
Enquanto isso, na sala de conferências, o presidente observava algumas imagens numa tela holográfica de um aparelho mal cuidado e gasto, analisando e pensando em algo.
- Com licença. - Maeko lhe chama a atenção, sentada na cadeira do outro lado da mesa e observando o rapaz. - Vai continuar a analisar sua péssima escolha nessa aposta?
- De fato, foi mesmo uma péssima ideia ter apostado num cavalo tão querido; ele poderia sofrer algum tipo de doença grave e os tratadores não fariam os apostadores saberem. E foi o que aconteceu. Deveras, isso não tem nada a ver com o fato de que a senhorita se encontra bem longe de casa...
O presidente parecia bastante com um rapaz normal: cabelos negros, olhos castanhos, alto e não aparentava ser muito musculoso. Seu irmão gêmeo seguia o mesmo porte físico, porém era mais estabanado: os irmãos Fall e Rain Arquimedes.
- Estava numa viagem para observar lugares novos e inexplorados, terminei caindo neste planeta por acidente.
- Acidente... Uma garota com modificações para se assimilar com as formas de vida de um planeta cuja presença de vida era uma impossibilidade por causa de sua atmosfera altamente tóxica, algo que parecia impenetrável até mesmo para as sondas, mas que se revelou uma ilusão de algum tipo, algo feito para proteger uma terra inóspita, cheia de vida e misteriosa, mesmo que atrasada tecnologicamente.
Recentemente, a Tera Corps renovou os acordos com a mídia da Constelação do Sabre para manter o segredo de sua existência. Aquela nave estava fora do conhecimento público fazia mais de 200 anos, quando foi informado que em sua inauguração alguma falha mecânica ou sabotagem terminou por sobreaquecer os reatores e destruir o incrível investimento da família Arquimedes em algumas horas: a construção demorou 10 anos para terminar. Ironicamente, tudo não passou de um blefe, um xiste, para desviar a atenção para o verdadeiro propósito da empreitada, que era a pesquisa de tecnologia proibida.
- Encontrar informações sobre vocês não foi fácil, acredite. - Maeko começa a falar, 'colocando as cartas na mesa'. - A Tera Corps é uma empresa de pesquisa fundada e financiada pela família Arquimedes desde o começo do século 21, mantendo seu foco em assuntos pouco explorados e guardando os resultados para si mesma. Nunca houve sequer um governo que não tenha negociado por equipamentos com vocês e que não tenha saído de mãos abanando. Sua estação espacial Menos Grande foi criada com a própria tecnologia que vocês desenvolveram, um lugar digno de nota. E vocês também iniciaram uma campanha para esconder-se do público, provavelmente para evitar represálias e ameaças mais graves por conta de seus incontáveis inimigos. Esse planeta aqui, que descobri se chamar Tarim pelos próprio habitantes, é um lugar pacífico e cheio de uma vida animal e vegetal única, sem falar nas propriedades misteriosas que vários minérios e cristais possuem, capazes de modificar os animais e pessoas ao ponto de fazer crescer orelhas, caudas e aumentar a força física e os sentidos. Realmente, esse lugar é bem interessante, seria uma pena se descobrissem ele e o arrancassem de suas mãos...

Fall apenas a observa falar, com uma mão apoiando o rosto e o olhar desviando para o ousado decote algumas poucas vezes. Ele retoma a conversa quando ela solta sua ameaça.
- Sim sim, seria uma pena mesmo...
Ele levanta e vai até a porta, abrindo-a.
- Se quiser ir, fique à vontade. E se precisar de alguém que esteja com vontade de tocar nesse 'império' amaldiçoado, lhe darei os parabéns.
Maeko parece confusa. Ela se levanta e vai até ele, cruza os braços abaixo dos seios e espera que ele responda.
- Hmm, não percebeu? - Fall coça o queixo. - A família Arquimedes não tem muitos membros vivos e nem muitos amigos próximos. A melhor explicação que eu tenho é a de que a senhora da sorte e a má sorte nos escolheu para sermos seu brinquedo. 
- Isso parece uma confisão de um emo, para mim. Vai querer uma gilete para cortar os pulsos agora?
- Na verdade, eu cortaria a jugular, é menos doloroso e mais rápido. - Ele sai de onde estava e vai para o corredor. - Então, o que me diz?
- O que eu digo? - Novamente, ela estava com sua expressão interrogativa.
- Sim: o que diz de ser esposa do Lukka?
Ela leva uma mão ao queixo, quase do mesmo jeito que Fall, e começa a coçá-lo também.
- Ele não parece má pessoa, e também não deve ter-
- Ótimo, ela aceitou.
Dito isto, Fall puxa Lukka para perto, que estava quase entrando no campo de visão de quem estava dentro da sala de conferências, ou seja, Maeko. Ela olha o rosto vermelho do rapaz, parecia que ele ia explodir, Prieza aparece irritadíssima atrás de Lukka. Sem entender o que acabara de acontecer, Maeko se vira, coloca os pensamentos em ordem e respira fundo, voltando a encarar o trio. Porém, Lukka agora estava com um terno preto.
- Rápido! - Maeko quase grita.
- Só estou brincando. - Fall ri, e Lukka chora com a piada. - Fique aqui por um tempo, Baronesa, e logo saberá se vale a pena ou não entregar esse lugar para qualquer um.

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