AVISO

A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

Acho que me perdi - Capítulo 9


- E podem parar com essa farsa, as duas.

A situação estava feia para mim, mas ao prestar atenção nos corações delas, percebo algo fora de lugar.

- A sua serva fala tanto o seu nome e pensa tanto nas caudas que não consigo parar de a imaginar gritando silenciosamente, Shinku-san.

Sim, eu lembrei que era um meio-satori e usei algo que estava ligado o tempo todo para saber se elas eram mesmo quem pareciam ser; afinal, estavam agindo tão fora do personagem que eu estranhei só quando a situação começou a virar pra cima de mim.

- Ora, me descobriu? - A falsa Byakuren me olhava com surpresa e desprezo. - É por isso que odeio essa sua raça imunda, humano.

- Epa, errou na raça. - Me levantava do chão limpando a calça e recuperando a postura confiante que nunca tive. - Sou um meio-satori, só pra começo de conversa. Sua serva Shippou não para de pensar nas caudas que está tentando esconder e no seu nome, parece até que tem algo rolando entre vocês duas pelo jeito que ela fala...

A falsa Alice fica um pouco ruborizada e abre a boca para falar algo, mas Shinku estende o braço para ela e toma a iniciativa removendo suas ilusões. Aquela raposa maldita usava a mesma roupa de sempre, um tipo de traje de sacerdotisa completamente negro. O cabelo comprido e negro dela contrastava com as sete caudas com pelo castanho claro. Shippou, por outro lado, parecia a Orin sem as caudas e mais delgada, o queixo mais pontudo e sem as orelhas humanas.

- Sua raça, sim, é interessante. - Shinku me olhava com vontade de me pegar e sair correndo.

- Não estou à venda.

- E quem disse que vou te comprar?

Eu aponto para o tórax dela.

- Seu coração.

Ela olha para onde apontei e depois para mim, interessada. Shippou está doida pra falar e/ou fazer algo, mas sua mestra não lhe deu a ordem para tal.

- Tenho uma proposta para você. Se não quiser ouvir eu o deixarei ir embora sem um arranhão.

- Tu tá brincando comigo, né? - Fico um tanto indignado com a infeliz. - Você, VOCÊ vai me deixar ir sem um arranhão? Bebeu antes de sair de casa ou levou tanto sol na cabeça que acabou endoidando?

- Hmm, sim, acho que posso deixar que a Shippou cuide de sua petulância.

Eu coloco a mão na cara e seguro uma gargalhada. Volto a falar com aquele sorriso safado no rosto.

- Eu sempre fico entusiasmado quando a história vira pro meu lado.

Pego o grimório e olho para a capa. Nesse momento sinto um leve fio de consciência sendo criado em volta dele, mas não dentro. Abro e mostro as páginas cheias de inscrições, fórmulas e o que mais tinha para Shinku e sua serva.

- Você está com fome, amigo? Vou te dar a garota sem rabos para comer.

A consciência fica afiada e maliciosa no mesmo instante, como se você tivesse chamado a atenção de alguém que estava pensando na morte da bezerra. Sem aviso, dou um salto para frente e jogo o grimório na cara da Shippou, que grita aterrorizada; o blefe tinha funcionado. Na verdade não foi bem um blefe, pois o grimório fechou com a força de uma mandíbula enorme e praticamente esmaga o crânio da garota. Shinku arregala os olhos com a surpresa.

- Agora, vamos cuidar dela!

Continuo minha corrida e meto um belo soco na barriga de Shinku, ela vomita um pouco de líquido, talvez chá, e cai sentada no chão.

- Que tipo de monstro é você?! - Ela segura a barriga dolorida, e tosse algumas vezes.

- Foi mal, esqueci de avisar que sou meio-satori e meio-oni.

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