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A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

Devil Breeder - Início de uma Dúvida


Era o meu primeiro dia como Demon Buster, mas nunca imaginei que isso pudesse me acontecer...

Nakano parecia a mesma de sempre: suas árvores altas tampando a luz do sol, demônios se esgueirando pelas ruínas e Demons Busters andando em grupos de Suginami para Shinjuku Babel na esperança de evitar um ataque surpresa. E isso, claro, acabou acontecendo de um jeito ou de outro.

- Avancem pela direita, vou segurar eles na retarguarda! - Gritava um dos Demons Busters, invocando um Power para segurar o grande Oni que se aproximava.

No meio daquela confusão estava eu, Aya Bakeneko, uma garota tipicamente japonesa. Não vou dizer minha idade pois isso dá azar, mas posso adiantar que ainda não completei vinte anos. Fiz o exame para Demon Buster havia uma semana e só agora eu estava em uma missão de verdade. Consegui a proeza de capturar uma Nekomata como primeira demônio, o que deixou o Snakeman intrigado e levemente esperançoso por mim; ou é o que ele queria que eu acreditasse. Não sou do tipo que cai no papo furado que as pessoas tentam me passar, mas sei que tenho que parecer gostar de elogios ou me "sentir" feliz quando conquisto a amizade de alguém. Aquele mundo já havia perdido a batalha e a guerra, mas a humanidade não aceitava o resultado e o seu futuro. Eu também tenho motivos para ter me tornado uma Demon Buster, mas isso não vem ao caso agora.

- Nekomata, use Maragi nessas coisas!

Enquanto o Oni lutava com o Power, eu decidi queimar os outros demônios menores que vinham por trás das árvores. Eu só não contava com a leve falha que estava cometendo: não prestei atenção nos demônios dos Demon Busters do meu grupo, e acabei por matar a todos.

- Droga, olha o que você está fazendo, novata! - Um veterano grita comigo enquanto corre para segurar seu Kodama. Em chamas.

- Ah, eu achei melhor acabar com os inimigos logo de uma vez... - Falo sem mudar o tom desinteressado e entediado que sempre uso.

- Não importa, acabe com o Oni agora! - O tenente cujo Power segurava o Oni me alerta, apontando para o monstro que estava perto de se soltar e nos atacar.

Ordenei a Nekomata que atacasse o Oni pelas costas, e assim ela o fez. O vascularizado cai por terra com um único Feral Claw nas costas, salvando os nossos rabos por mais um tempo. Catamos o que dá pra carregar depois que a carroça que usávamos para transportar pilhas de Magnetita fora feita em pedaços pela ação dos famintos demônios e voltamos ao curso normal numa correria desesperada. Eu não tinha percebido, mas acabei por pegar uma pedra diferente no meio dos destroços, provavelmente um drop raro. Lembrava uma peça grande de Magnetita, por isso não dei importância. Fui até a Catedral com o grupo e deixei a pilha que carregava em meus braços desabar numa caixa que prepararam exclusivamente para isso, deixando a pedrinha cair e escorregar até o pé daquele velho de óculos. Ele estava olhando de longe e viu o que aconteceu, pegou a pedrinha e me chamou.

- Senhorita, esse cristal é bem interessante. - Ele olha para a pedra com uma cara curiosa.

- Ela não é minha, deve ter aparecido ali do nada...

- Oh, então que tal fazermos um experimento? - Ele estende a mão com a pedra para mim, o que não me dá outra opção senão pegá-la. - Chame seu demônio e vamos tentar uma fusão.

- Eu só tenho uma Nekomata, como vou fazer mais-

- Não se preocupe, só iremos fortalecê-la. - Ele ri, claramente escondendo algo.

Invoquei ela de novo e a mandei subir no pedestal do lado. A pedra em minha mão reagiu, e eu acabei sendo jogada por uma força estranha no pedestal do outro lado. Logo, o processo de fusão começou e eu não tinha como sair dali, os vários espetos me cercaram e prenderam no chão. Pensei em gritar, mas não ia adiantar de nada agora. O processo continua, várias luzes cegantes nos rodeiam e começam a nos aproximar cada vez mais, até que tudo fica claro. Estou numa sala branca, vazia. Três cadeiras brancas e vazias jaziam à minha frente, viradas todas para uma mesinha de centro no meio da sala. Eu caminho até a mesinha e olho, algo começa a surgir ali. Lembrava uma boneca de pano que tinha o mesmo tipo de cabelo e roupas que eu.

- Isso...

Eu não entendi o por que, mas era algo que fazia bastante sentido: aquela boneca representava o meu passado e, até momentos atrás, meu presente. Se eu me agarrasse a ela, continuaria do jeito que eu sempre fui. Se eu a jogasse fora, algo mais poderia acontecer. Só havia uma forma de saber.

- Minha vida terá um significado se eu fizer isso?

Pergunto para quem estivesse na sala, e não recebo resposta alguma. Sem outra alternativa, jogo a boneca na cadeira à minha frente e me viro, dando de cara com uma porta dupla de metal que parecia ser pesadíssima. Ando até ela e a empurro, usando toda a força que tinha na época, até finalmente abrir. Me vejo de volta à Catedral, e noto vários olhares curiosos na minha direção. Sinto coisas estranhas em meu corpo, também sinto cheiros que não sentia antes, sons que não havia percebido até então, até mesmo vejo com maior facilidade! Quando vou coçar minha cabeça, sinto alguma coisa peluda no topo.

- Sim, a fusão funcionou. - Diz o maluco Gaian.

Eu mexo nas coisas peludas e descubro serem orelhas de gato. Atrás de mim tinha também um rabo felino, saindo um pouco acima do... você sabe. Alguns estão admirados, outros enojados com o que veem. Logo, me levam para a sala de comando de Shinjuku Babel, e sou recebida por Setsu em pessoa. Seu olhar analítico me vasculha por cada centímetro do meu corpo, ainda bem que minhas roupas não rasgaram, e ele logo começa a falar.

- Curioso. Isso é algo que eu não previa, uma fusão entre humano e demônio. - Ele checa seu tablet. - Aya... Bakeneko, não é? Precisamos testar suas capacidades e precisar sua habilidades demoníacas.

- Epa, por que eu tenho que virar rato laboratório, nyah???

- Alerta de estereótipo... - Ele anota alguma coisa no tablet. - Como eu falei, precisamos ter cuidado com o que você é capaz de fazer. Case se descontrole pode acabar ferindo seus aliados, e a repercussão negativa pode chegar a níveis desagradáveis, se é que me entende.

Ele aponta com a cabeça para os outros membros que estão na sala, e eu noto que alguns me olham com extremo desgosto, como se eu fosse algum tipo de monstro cruel e sanguinário. Eu tenho certeza que prefiro continuar no caminho da humanidade, ainda mais agora que posso fazer tantas coisas novas...

- Sua arma e sua moto serão confiscad-

- NYAAAH!?! - Dou um grito, surpresa com a decisão. - E-eu não mudei, ainda sou eu mesma! Não me tire a minha moto, por favooooor! Nyah!

Meus protestos chamam a atenção dos guardas, que me seguram achando que vou atacar Setsu. A moto que eu tenho foi adquirida com muito esforço e choradeira, principalmente quando meu pai falou que ia se livrar dela. Desde pequena eu gostava daquela moto, e agora que meu pai se foi era a única lembrança que tinha dele. Expliquei o meu afeto pela moto e Setsu teve alguns segundos de compaixão comigo, me permitindo continuar com minhas coisas.

- Você ficará sob vigilância até aprender a usar suas habilidades de forma segura, compreende?

- Sim, nyah!

Logo, sou escoltada para fora da sala de comando e enviada para uma nova missão.


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