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Sou uma Shinigami - Capítulo 6


- Um anjo, aqui... Esse lugar deve estar mais estragado do que eu imaginei.
Yuki volta a andar na direção que achava ser a que acreditava que a levaria para alguma cidade, ou resquício de civilização. Um anjo de posto tão alto servindo de observador nunca era boa coisa. As duas únicas vezes que Yuki viu anjos se metendo numa situação anormal terminaram com a morte dos participantes e seus conhecidos, sobrando para ela apenas o Envio das Almas.
Alguns minutos depois, caminhando pelos vales verdes e rochosos daquela ilha estranha, Yuki consegue discernir algo parecido com uma cidade ao longe. Chegando mais perto ela começa a sentir uma concentração anormal de Aether vindo de todos os lados, como se tivesse entrado numa enorme caixa ou armadilha.
- Certo, quem foi o engraçado? - Yuki já desembainhara sua espada, pronta para atacar algum ponto mais frágil da caixa e tentar sair do chão voando o mais alto possível.
- Engraçado? São precauções, se me permite dizer...
Uma sombra se forma à frente de Yuki. Parecia feita de névoa negra ou de fumaça, saindo do chão, rodopiando e criando uma forma vagamente humanoide. Ele logo volta a falar com sua voz de verme bajulador.
- Sou um mero servo de meu amo, o qual me ordenou tal ato defensivo.
- Quem disse que me importo?
Sem chance de defesa Yuki corta a sombra diagonalmente, matando o ser na hora. Ela estava mais irritada do que antes. Resumindo sua caminhada, ela finalmente chega na cidade. O lugar estava deserto, não havia nem mesmo traços espirituais de pessoas, coisa que fica por semanas em cidades e meses em objetos. Logo, vários abalos sísmicos leves acontecem. Yuki nota que a fonte não estava muito longe e procede para o local sem demora, dando de cara com um embate entre dois grandes e furiosos seres. Um lembrava uma mistura de homem com inseto, o outro era um lobisomem de carne e osso.
- Vai desistir agora, Samaritano?
- Só quando não houver mais por que lutar, Sebastiano.
Duas vozes masculinas são projetadas de uma casa próxima de onde Yuki estava. Ela vai até lá e vê dois homens, um de avental sujo com o que parecia ser pão e o outro com um terno mais cavalheiresco. Ambos apresentavam uma tara em usar gestos de mãos demorados e esquisitos, comunicando-se tanto pela fala como com o corpo.
- Qual dos dois conhece Shinki-sama?
Ambos se assustam com a garota que aparece repentinamente, acabando com a estranha diversão da dupla.
- Quem vem lá!? - Pergunta o que parecia um padeiro.
- Respondam de uma vez. - Yuki preparava-se para retalhar o que negasse conhecer a deusa.
A dupla se entreolha, curiosos e com medo, e disparam várias rajadas de farpas mágicas das pontas dos dedos na direção da garota. Ela se joga atrás de uma parede próxima para esperar o fim das rajadas e sente a presença dos dois grandalhões indo para cima dela. Assim que vira o rosto para ver a distância que eles se encontravam Yuki recebe um soco no rosto e sai voando para trás quicando e logo voltando a levantar voo, mas desta vez por vontade própria. O lobisomem havia lhe acertado o rosto, o que a enfurece na mesma hora.
- Se vocês cooperassem eu não precisaria matar ninguém, mas já que insistem...
Num piscar de olhos, Yuki se move do ponto onde estava e passa para atrás do lobisomem, cortando-lhe a cabeça num movimento único e limpo. O meio-inseto corre na direção dela com os quatro braços aberto, dando uma grande abertura para a shinigami cortar-lhe os membros superiores e inferiores com dois movimentos de sua espada, terminando com um empalamento cruel. Suja com o sangue de ambos os seres invocados, Yuki anda até a dupla excêntrica e os encara com raiva.
- Qual de vocês conhece Shinki-sama? Última chance.
A dupla tenta escapar assim que a garota se aproxima, correndo cada um para um lado e usando seus feitiços para se esconder; tudo inútil para alguém que pode ver espíritos e enxergar linhas de energia espiritual e Aether. Yuki vai atrás do de terno, segura-o pelo ombro e o joga no chão, quebrando algumas costelas do homem e torcendo seu braço numa direção impossível. O outro sofre o mesmo destino, e logo os dois são arrastados para o mesmo canto.
- Eu não sei quem é essa mulher... - Responde o de terno, retorcido em dor.
- Não falei que era mulher. - Sorri Yuki.
Contente com sua presa, a garota passa a lâmina da espada na garganta do homem de avental, fazendo-o sangrar até a morte. Após esperar sua alma sair e realizar o Envio, Yuki segura a perna do de terno e começa a arrastá-lo para a falha na barreira que usara para chegar ali, quando é surpreendida por mais um tremor de terra violentíssimo. Várias rachaduras se formam e a cidade começa a ser devorada pela terra, até que um grande vulto negro sai pelas rachaduras e se coloca no caminho da garota.
- Ele veio... ele veio mesmo... - O homem de terno está chocado, sequer parecia acreditar no que via. - Meu desejo, eu quero o me-
- Me dê uma Eldris Arectaris. - Yuki o interrompe.
O vulto vira para Yuki e um grande e repugnante olho vermelho se abre no meio do rosto dele. Ele estende o braço na direção da garota e uma lama negra cai no chão, moldando-se e formando uma arma. Ela reconhece como sendo a katana lendária que pedira para Shinki anos atrás, mas que nunca obteve por conta daquele incidente. A garota pega a arma, coloca numa nova bainha que cria com magia, agradece e segue seu caminho de volta para a cabana. Quando está longe o suficiente, Yuki nota que a cidade parecia não ter sofrido absolutamente nada com o terremoto, a vida humana voltara normalmente para lá.
- Um Dominação que é realmente competente... Não é nem uma ilusão, ele realmente dobrou a realidade.
- Dominação? Tinha um arcanjo por aqui? - O homem de terno parecia confuso, e estava mais sujo e quebrado do que antes após ser arrastado por tantas dezenas de metros.
- Sim, a Corja do Céu não ia deixar o seu experimento sair do controle, sabia? Como fui eu quem fez o pedido, ninguém irá intervir. Se fossem vocês a pedir por algo, eles viriam imediatamente apagar toda a ilha do mapa.
- Não, eles não...
- Só por que são anjos não significa que são bons para a humanidade. Qualquer coisa não-humana é um inimigo da humanidade, achei que já soubesse disso depois de tanto tempo estudando magia. - Ela fala com um desdém característico, Yuki detestava magos que só entravam nas Academias para proveito próprio.
- Achou sua presa? Meus parabéns.
O homem de antes continuava sentado apoiado na cabana. Ele observava Yuki chegando com o homem de terno. Ela logo responde.
- Acho interessante essa sua dedicação, faz parecer que é boa gente.
- Você só fala desse jeito quando está feliz.
- Talvez. Recebi um presente bem útil. Agora, além de espíritos e de usuários de magia, poderei lidar com gente da sua laia com facilidade. - Yuki passa a mão na bainha da nova katana, mostrando um pouco de orgulho.
- Confiar demais em suas ferramentas pode ser prejudicial para sua saúde, no dia que elas quebrarem. - O velho usava um tom sábio.
- Elas servem para canalizar meu ódio com mais facilidade.
- Ódio? Por que odeia tanto qualquer ser não-humano?
- Hmm... Razões pessoais. - Yuki faz alguns desenhos no ar com um pouco de Aether concentrado na ponta do dedo indicador direito. - Certo, estou indo. Quer falar mais algo antes que eu suma da sua vida?
- Só que tente encontrar o amor de Deus, pequena ovelha.
- Ovelhas são usadas como gado, tem sua lã tosada e sua carne devorada. Se acha que vou me tornar mais uma zumbi que venera seu deus sem nem me preocupar em comer ou me limpar depois de fazer minhas necessidades, está muito enganado.
Yuki acena para o desenho no ar, que abre e se torna um portal. Ela entra após jogar o homem de terno lá dentro, dá uma última olhada no arcanjo e segue seu rumo.

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