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A nova política de uso do Google me fodeu legal, agradeçam a ele quando virem o que aconteceu com os posts antigos.

RPG Animesco: o que seria isso? Parte 1


Um texto mais sério, algo quase que incomum por aqui.

Vou falar merda? Provavelmente.  
Sou o mestre-do-universo-que-sabe-tudo-do-que-estou-falando? Não.  
Pretendo irritar alguém com isso? Inicialmente não, mas pode ser que alguém se ofenda... se a carapuça serviu...


Desde sempre noto que o pessoal tem concepções erradas sobre o que é um RPG baseado em anime e como é um "RPG animesco". Vou dar aqui o meu parecer parcial e unilateral para essa questão tão antiga e falar mal de alguns sistemas que certas pessoas dizem serem capazes de simular um jogo "mais anime".

Vamos voltar para aquela época feliz e agradável da Guerra dos Sistemas da década de 1990~2000. GURPS, Storyteller e D&D, os Três Grandes que disputavam espaço nas mesas aqui do Brasil através de seus fãs loucos e despirocados, já que os fãs mais "normais" só queriam jogar em paz e sem nenhum chato enchendo a paciência (o que era raro acontecer por causa das briguinhas de criança já muito famosas para nós veteranos). Eu já ouvi várias e várias vezes da tal regra de cavar buraco que diziam existir no GURPS (e parece que tá no Daemon), também já ouvi que D&D era jogo de criança e que Storyteller era sim algo "adulto" e "sério", e também do povo de Vampiro que se fantasiava como seus personagens e saiam por ai pagando vexame e fazendo merda pra cima de gente que nada tinha com a história. Tava todo mundo errado naquela época.

Certo, e o que eu estava fazendo? Olhando tudo de longe, protegido em minha casa e jogando no meu SNES/PSX/Dreamcast enquanto viajava na maionese com aqueles mundos fantásticos e incríveis que eu via naqueles jogos. Por volta de 2010 (acho que foi por ai, minha noção de tempo é horrível) acabei esbarrando em algumas coisas para RPG e achei que se tratavam de algum jogo para PC, o que atiçou minha curiosidade (mais por causa do tamanho em KBs, pra falar a verdade). Fui lá testar o tal programa e... nada. Vi uma ficha, alguns dados que podiam ser rolados, tralhas e mais tralhas de fichas estranhas e nomes que eu entendia metade e boiava na outra metade. Li algumas coisas sobre a transição de edição de um tal Dungeons & Dragons e do burburinho que isso estava causando entre os fãs, obviamente sem compreender nada do que diziam.

Porém, em minha mente, eu achava que "aquelas coisas de RPG" podiam ser divertidas e poderiam me proporcionar algo que eu não possuía até então, algo que eu nem sabia o que era mas que aquelas pessoas que contavam suas Pérolas e seus feitos em jogo pareciam possuir de sobra. O que será que era?


Foi só mais pra frente (não sei precisar quando) que tomei coragem e pedi para meu primo que me apresentasse o pessoal com quem ele costumava jogar. Foi ai que conheci o meu primeiro grupo de RPG, um povo bem estranho que eu só via quando eles vinham jogar no "Playtime" daqui de casa. Era um povo tecnicamente hostil com novatos, ainda mais comigo que não tentava me misturar e talz acho que era só inveja.

A primeira lição foi: mexer a pecinha no tabuleiro.
A segunda lição foi: leia o Livro do Jogador 3.5 e cale a boca.
A terceira lição foi: não se meta com o meu personagem ou eu te mato sem nem pensar duas vezes. E cale a boca.

Parece um pouco exagerado falar desse jeito mas é como foi e é como sempre vou ver quando paro para pensar naquele tempo. O mestre, um carrasco de marca maior, sempre dizia que era péssimo e que seus jogos não eram tão bons, mas nunca o vi falando que poderia tentar melhorar. O cenário que usavam era alguma coisa entre o "falso" Greyhawk que os livros básicos adimitiam se passar, Dragonlance (que me deu nojo por causa desse pessoal E do alto nível de frescura que possui) e alguma coisa própria que eles desenvolveram com o tempo. Dava para notar algumas influências dos animes que eles assistiam em poucas coisas que aconteciam ou eram citadas, mas não passava disso. Nessa época acabou estourando o 3D&T nosso de cada dia e eu dei as costas por causa das opiniões negativas dessas pessoas. Continuei por lá por mais algum tempo e terminei indo parar em outro grupo muito mais insano e doido que esse primeiro (principalmente por teimarem em jogar D&D SEM o Livro do Mestre).

Depois das várias cagadas que ocorreram em jogo e do meu ímpeto em começar a narrar (o que se tornou parte integrante da minha vida no RPG), notei que dava para ser melhor do que era naquele momento, que dava para sair daquele emaranhado de conceitos pré-estabelecidos por gente que via a fantasia medieval como fonte última de diversão, mas eu não fazia ideia de como.

Foi ai que terminei caindo nas graças do 3D&T. Minha resistência inicial foi bem grande, mas acabei vendo que ali, e só ali, era possível fazer o que eu ainda não imaginava o que seria possível: personagens com alma.

É inegável olhar para uma ficha de D&D e ver apenas um monte de números. O mesmo acontece com Vampiro ou Storyteller: bolinhas a dar com pau. GURPS eu não tive contato (por muito pouco não comecei bem mais cedo, e com 100% de certeza seria um começo muito melhor do que com o que foi com D&D). Daemon estava zanzando por ai com o mítico Anime RPG que eu só fui saber da existência eras depois, e só esses dias consegui uma cópia para ler: ew. A arte parece ter sido feita por um moleque que acabou de aprender a desenhar "estilo mangá" (o que fizeram com os olhos!?), as regras são o que se espera de Daemon e... só; não consegui ler mais do que meus olhos permitiram enquanto folheava e logo em seguida joguei no meu diretório de coisas para RPG.

Sobrou o que? Sistemas de fora. Eu sei que D&D, GURPS e Storyteller foram criados por norte-americanos, não precisa me lembrar. Também não estou aqui "tentando enaltecer o RPG brasileiro", não sou um merda tão merda assim.




Qual o meu objetivo com esse post? Falar de RPGs que são voltados a temáticas anime e explicar essa porra que ninguém compreende por aqui ao mesmo tempo que faço um rant gigantesco das minhas frustrações atuais.


É possível usar sistemas já estabelecidos com um determinado gênero para simular mundos de anime? Sim, é bem possível. Veja as imagens que deixei pelo post: Slayers d20, Sailor Moon d20 (que não achei a capa), BESM d20... Mas vamos por os pingos nos "i"s.

d20/D&D: É fácil adaptar os personagens de algum título para as classes e materiais pré-existentes, pode ver aqui algumas coisas que estão adaptando para Touhou (que tem várias encarnações no mundo do RPG de mesa, a maioria péssima) como escolas de Manobras e Posturas próprias para determinadas personagens: Utsuho, Reimu, Mystia... Mesmo Touhou não sendo um anime, mas foda-se. Ou seja, animes que passem um feel mais shounen ou combativo são os preferidos para o d20.

GURPS: A letalidade do sistema permite que histórias mais realistas sejam adaptadas com facilidade, como Cowboy Bebop, 11eyes, e com muito trabalho e dedicação Fate/Stay Night. Ou seja, animes que sejam mais letais ou que trabalhem com menos combate e mais uso de conhecimentos/perícia são os preferidos para GURPS.

Storyteller: Eu tentei narrar um jogo, uma vez, usando o Microlite Storyteller e o resultado foi a jogadora caindo com um único ataque que tirou 6 sucessos (sendo que ela tinha Vitalidade 4). Ou seja, não faço ideia de quem seria burro o bastante pra usar Storyteller pra anime.

No Japão nós temos casos específicos de usos de D&D e GURPS, como Record of Loddoss War e Runal. Partindo desses jogos eles criaram os seus próprios sistemas, no que dou imenso destaque ao F.E.A.R.









Busca no Pixiv sobre coisas relacionadas a D&D: http://www.pixiv.net/search.php?s_mode=s_tag&word=D%26D

Busca no Pixiv sobre coisas relacionadas a GURPS: http://www.pixiv.net/search.php?s_mode=s_tag&word=GURPS

Touhou d20: http://gensod20.alotspace.com/index.html


Um comentário:

  1. Muito bom 8D
    Boa pesquisa de informações ^^

    um dos melhores Posts na minha opinião

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